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Sabinosa: produtor de cachaça retoma negócio familiar e conquista premiações

Empreendedor de Salinas é responsável por produzir uma das aguardentes mais premiadas da região

O gosto pela cachaça e o desejo de seguir o legado deixado pelo pai moveram o empreendedor Flaviano Cruz de Souza a vencer desafios em Salinas, cidade do Norte de Minas reconhecida como “a Capital Mundial da cachaça”. Este rótulo se deve ao grande volume de produção artesanal a cada ano e à qualidade e tradição da bebida no cenário nacional e internacional. Flaviano cresceu entre as plantações de cana e o alambique onde o pai, Sabino Pinto, produzia a “Preciosa”, que, por questões de registro, passou a se chamar “Sabinosa”.

Hoje, aos 45 anos, o empreendedor é responsável por produzir uma das cachaças mais premiadas da região. O reconhecimento foi alcançado com muito esforço. Em 2011, após trabalhar com o pai por muitos anos, Flaviano decidiu deixar o negócio familiar. “Fui buscar novos rumos para minha vida e escrever minha própria história. Abri um bar na cidade e comprei uma chácara. Meu sonho era ter uma propriedade e, assim, fiquei afastado do alambique por cerca de dez anos”, conta.

Dez anos depois, com a morte do pai em um trágico acidente de trânsito, ele decidiu retornar. “Não foi como eu desejava, mas precisei assumir a gestão da Sabinosa para evitar o fim da nossa cachaça”, frisa. Nesta época, o perfil empreendedor de Flaviano foi essencial para enfrentar os desafios. “Encontrei a fábrica sucateada, com alambiques quebrados, caldeira sem funcionamento e engenho necessitando de reforma. A empresa ainda tinha muitas dívidas com bancos e impostos atrasados”, descreve.

Retomada

Para organizar a empresa, ele negociou o que precisava ser pago e, com o valor da venda de um terreno, pagou grande parte das dívidas. “Reformei o alambique, a caldeira e o engenho. Ainda é preciso melhorar muita coisa, mas o negócio está livre das dívidas”, comemora.

O empreendedor destaca o papel do Sebrae Minas como parceiro essencial, principalmente, em função das capacitações, consultorias para formulação de rótulos e embalagens, além de acesso a novos mercados por meio de missões técnicas e feiras. Com esse suporte, a Sabinosa e outras cachaças artesanais da região integram a Indicação Geográfica (IG), conquistada em 2012 na modalidade de Indicação de Procedência (IP), o que oferece diferencial competitivo, valorização da origem, qualidade e história da Região de Salinas.

De olho na expansão da empresa, Flaviano investiu também em melhorias na tubulação para garantir a irrigação do canavial e, consequentemente, a possibilidade de aumentar a produção. Para todo este processo, ele conta com o apoio da mãe, Olívia Francisca, de 70 anos. “Ela organiza a limpeza da fábrica, cuida das plantas, atende clientes e auxilia nas decisões importantes. Tem um papel fundamental”, destaca.

A produção atual está em torno de 20 mil litros por ano, sendo comercializada para todo o Brasil, principalmente, para os estados de São Paulo, Belo Horizonte e Bahia.

Cachaça Sabinosa

Tanto trabalho e dedicação renderam bons resultados: a Sabinosa já conquistou quatro medalhas de Prata em concursos nacionais — duas na Expocachaça, em Belo Horizonte, nas categorias cachaça branca Jequitibá (2023 e 2025); uma no Prêmio CNA (2022); e o Prêmio Emater, com a cachaça envelhecida em carvalho. “Estamos organizando a empresa e trabalhando para que, nos próximos concursos, venha o Ouro”, enfatiza.