Desde 1981, o bar Geraldin da Cida integra a história do bairro Grajaú, em Belo Horizonte, reunindo tradição, gastronomia e boas histórias em torno da mesa. Ao longo de mais de quatro décadas, o estabelecimento conquistou gerações de clientes e consolidou sua identidade conciliando a cozinha mineira e a hospitalidade.
A trajetória do estabelecimento começou na década de 1980, com a chegada de seu proprietário, Geraldo Albertino, à capital mineira. Ainda jovem, em busca de oportunidades de trabalho, ele abriu uma pequena mercearia no bairro Prado. Pouco tempo depois, o ponto comercial também se tornou um bar. Foi ali que Geraldo conheceu Consolação Aparecida, a Cida, contratada para comandar a cozinha. A parceria profissional deu lugar ao amor, e os dois se casaram e construíram juntos um negócio que, posteriormente, ganhou endereço definitivo no Grajaú.
O estabelecimento se fixou no endereço atual no início dos anos 2000. Os primeiros anos foram desafiadores, com poucos clientes e dificuldades para manter o negócio. A virada começou em 2006, quando Cida recebeu o convite para participar do concurso Comida di Buteco e conquistou o quinto lugar.
Na cozinha, ela ganhou reconhecimento com receitas tradicionais, como joelho de porco com batata sotê, torresmo de barriga e feijoada aos sábados. Entre os destaques do cardápio está o prato Quintal da Vovó, combinação de farofa de abobrinha com queijo e ovo, carne de lata e medalhão de jiló, que marcou a participação do estabelecimento no concurso.
O reconhecimento, no entanto, não eliminou os desafios da administração. “Os primeiros cinco anos no endereço atual foram muito difíceis. Não tinha clientes. Quando comecei a participar do Comida di Buteco foi um sucesso, mas eu não sabia administrar o negócio”, conta Cida.
A identidade do bar também vai além da gastronomia. O ambiente revela uma das grandes paixões de Geraldinho: o cantor Roberto Carlos. Pôsteres, fotografias e discos do Rei estão espalhados pelo estabelecimento, que abriga uma coleção construída ao longo dos anos. A admiração já o levou a viajar por diversas partes do Brasil, e até para o exterior, para acompanhar apresentações do artista.
Outra paixão do casal são os clientes, recebidos com a intimidade de quem chega à casa de velhos amigos. A simpatia de Geraldinho é uma das marcas registradas do estabelecimento, que se tornou ponto de encontro de moradores do bairro e visitantes de diferentes lugares.
Resiliência para manter as portas abertas
A história do bar Geraldin da Cida também foi marcada por outros desafios. Quando Geraldo sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e, posteriormente, recebeu o diagnóstico de câncer de próstata, Cida precisou assumir ainda mais responsabilidades para manter o negócio funcionando. Durante o tratamento do marido, ela se dividiu entre os cuidados com a família, a cozinha e a administração do bar.
Mesmo diante das dificuldades, o estabelecimento não fechou as portas. O apoio de amigos e clientes foi fundamental para atravessar esse período, reforçando os laços de confiança construídos ao longo de décadas.
A perseverança também foi importante para enfrentar as dificuldades financeiras e administrativas. Em um momento em que chegou a considerar o encerramento das atividades, Cida recebeu a indicação de um amigo para procurar o Sebrae Minas.
“Eu estava pensando em fechar o bar, porque não sabia administrar. Um amigo me indicou o Sebrae, e fui participar do Prepara Gastronomia. Eu não tinha controle de estoque, das entradas e saídas nem dos processos de manipulação dos alimentos”, relata.

Gestão profissional para preservar a tradição
A partir da participação no Prepara Gastronomia, programa do Sebrae Minas voltado à capacitação de empresas do setor de alimentação fora do lar, Cida transformou a maneira de administrar o estabelecimento. As capacitações e consultorias contribuíram para aprimorar os controles financeiros, organizar o estoque e estruturar os processos operacionais.
Antes, a rotina era conduzida principalmente com base na experiência acumulada ao longo dos anos. Faltavam ferramentas para acompanhar com precisão as vendas, as compras e a movimentação de mercadorias. Com a orientação especializada, Cida passou a registrar as vendas no sistema, acompanhar os produtos disponíveis e organizar melhor as entradas e saídas, além de aperfeiçoar a gesão dos funcionários e os procedimentos de manipulação de alimentos.
“Hoje, faço tudo com o Sebrae. Toda dúvida que tenho, corro lá. Aprendi a controlar o estoque, saber o que entra e o que sai e organizar melhor o bar. Isso fez toda a diferença para mim”, afirma.
A mudança também se refletiu na vida financeira da empreendedora. Com mais organização e controle sobre o negócio, ela conseguiu construir patrimônio, manter as contas em dia e planejar o futuro com mais segurança.
“Consegui comprar um apartamento, um carro, formar meu estoque de cerveja e cachaça e ainda fazer aplicações no banco. Não devo a ninguém, e meu bar é um sucesso, graças a Deus e ao Sebrae”, comemora.
A experiência reforça a importância de aliar tradição e profissionalização para a sustentabilidade dos pequenos negócios. No Geraldin da Cida, a história construída desde 1981 continua sendo contada à mesa, nas receitas que atravessam gerações e na relação próxima com os clientes. Agora, com uma gestão mais estruturada, o estabelecimento segue preparado para preservar seu legado e escrever novos capítulos de sua trajetória.




