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Histórias de Sucesso Sebrae
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Do casarão de Diamantina ao Inhotim: a trajetória de Rachel Palhares, do Relicário Gastronomia

Chef transforma memória afetiva e tradição mineira em cozinha autoral, valorizando a cultura alimentar do Jequitinhonha

“Falo sobre uma cozinha construída com amor, criatividade e pé no chão.” A frase resume a filosofia adotada pela chef Rachel Palhares que comanda, há 12 anos, o Relicário Gastronomia, restaurante instalado em um casarão histórico no Centro de Diamantina. Integrante da Academia de Chefs, iniciativa do Sebrae Minas voltada ao fortalecimento de marca e gestão de empreendedores do setor de alimentação fora do lar, ela une técnica, memória afetiva e a diversidade da cultura alimentar mineira em um dos endereços mais respeitados da gastronomia do Vale do Jequitinhonha.

Filha de uma família de engenheiros, Rachel decidiu seguir um caminho diferente: cursou Nutrição, com foco em nutrição esportiva. Na graduação, a disciplina de Unidade de Alimentação e Nutrição, voltada à gestão de cozinhas de produção coletiva, revelou o que ela descreve como uma vocação que “vinha de dentro”. Foi então que ela direcionou os estudos para a área e, pouco depois, ingressou na faculdade de Gastronomia, cursada à noite, enquanto trabalhava em dois empregos durante o dia.

A relação de Rachel com a culinária, no entanto, começou muito antes, nas cozinhas das avós. O fato de a sua mãe ter nascido em Guaxupé, no Sul de Minas, e seu pai em Montes Claros, no Norte do estado, permitiu a ela crescer passando férias entre duas tradições culinárias distintas: a dos doces da avó materna, de ascendência italiana, e a dos salgados da avó paterna. Essa dupla referência, segundo ela, formou a base do que, hoje, é o cardápio autoral do Relicário Gastronomia, que combina técnica contemporânea com ingredientes e receitas de diferentes regiões de Minas Gerais.

O Relicário e os 12 anos de trajetória

Depois de atuar em cozinhas industriais e em grandes empresas, como Fiat e Oi (telefonia), à frente da área de alimentos e bebidas em eventos, Rachel decidiu empreender. Escolheu Diamantina para viver e enxergou na cidade histórica espaço para um restaurante autoral. Nascia o Relicário Gastronomia, casa que tem espaço para receber 36 pessoas, decorada com objetos que remetem às décadas de 1990, 1980 e períodos anteriores.

Foi também no início do projeto que o Sebrae Minas passou a fazer parte da trajetória da chef. Sem o acesso facilitado à informação que existe hoje, Rachel se apoiou em apostilas de plano de negócio e liderança de equipe oferecidas pela instituição para estruturar o Relicário Gastronomia. Desde então, a parceria se manteve passando por consultorias de gestão, pelo programa Empretec e, agora, ganhou novo fôlego com o Prepara Gastronomia.

A empreendedora faz parte da primeira turma do programa Academia de Chefs, e destaca que a iniciativa vai além de desenvolver o posicionamento pessoal. “É sobre gestão interna dos negócios, precificação de insumos, curadoria de cardápio e gestão de pessoas”, conta. O programa piloto do Sebrae Minas reúne 20 chefes de cozinha do estado com o objetivo de valorizar e fortalecer a marca e a atuação de empreendedores do segmento de alimentação fora do lar.

“Aprendemos com os erros e acertos dos colegas. Trocamos receitas e técnicas”, resume a chef sobre os encontros dos participantes. Para Rachel, o programa deve marcar sua trajetória, assim como ocorreu após sua participação no seminário Empretec, anos atrás. “Foi um divisor de águas entre a profissional de antes e a que surgiu depois da capacitação”, lembra.

A vivência de Rachel com o Sebrae Minas também passou pelo diagnóstico da cultura alimentar de Diamantina, que resultou no Caderno de Identidade Gastronômica da cidade. O trabalho mapeou receitas, ingredientes e memórias afetivas ligadas à mesa diamantinense e que dialogam diretamente com a forma como a chef constrói seu cardápio.

Um clássico mineiro no maior museu a céu aberto do mundo

No último mês de agosto, a trajetória de Rachel Palhares ganhou um novo capítulo: a chef assinou o menu especial do restaurante Capim Santo, dentro do Instituto Inhotim, em Brumadinho, considerado o maior museu a céu aberto do mundo. Para a ocasião, ela apresentou uma releitura afetiva de um prato típico da mesa mineira: o tropeiro, tradicionalmente preparado com feijão, ganhou uma versão com grão-de-bico, que confere leveza e uma nova camada de sabor à receita.

O prato une modernidade e tradição, valorizando o território e a cultura alimentar da terra de Xica da Silva e JK. Para a chef, assinar uma receita em um espaço de reconhecimento internacional como o Inhotim é a materialização de um sonho que começou nas cozinhas das avós, e que carrega o nome de Diamantina para um dos endereços mais visitados do circuito mundial de arte contemporânea.