A inovação no campo tem ganhado protagonismo com soluções digitais voltadas para a pecuária leiteira. A startup ESGpec, lançada em 2024, desenvolveu ferramentas gratuitas que permitem aos produtores rurais monitorarem práticas sustentáveis e calcular a pegada de carbono de suas fazendas.
Vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2025, na categoria Ciência e Tecnologia, a sócia-fundadora Heloise Duarte explica que a proposta é aproximar o campo das práticas de ESG – Environmental, Social e Governance,- termo que se refere às práticas ambientais, sociais e de governança corporativa–, oferecendo recursos acessíveis, simples e aplicados à realidade brasileira. A empresa também participou do InovAtiva de Impacto, Capital Empreendedor, Inova Cerrado e do Prêmio Sebrae de Startups.
Uma das soluções é a PEC CALC, calculadora de pegada de carbono desenvolvida com base em diretrizes globais e metodologias validadas, adaptadas às condições do Brasil. A ferramenta fornece dados como manejo de dejetos, pastagens, rebanho, consumo de combustíveis, energia e ingredientes da dieta animal, permitindo simulações e diagnósticos de impacto ambiental.
Segundo Heloise, além de medir emissões, os produtores podem identificar áreas com maior potencial de redução, adotar estratégias de mitigação e aumentar a eficiência do negócio. “Queremos mostrar que ESG no campo não é um bicho de sete cabeças. Nossa missão é democratizar o acesso a práticas sustentáveis”, afirma.
As soluções fazem parte do projeto “Despertar Regenerativo: Integrado, Equilibrado, Biodiverso” e já alcança cerca de 300 fazendas em seis estados brasileiros, com apoio de mais de 100 técnicos treinados.

Tecnologia a favor do campo
A trajetória de Heloise na pecuária começou ainda na fazenda da família. Hoje, sua experiência em tecnologia se soma ao propósito de conectar produtores a soluções digitais transformadoras. A ESGpec atua em modelo B2B, ou seja, aquele pelo qual uma empresa fornece produtos ou serviços a outras empresas, atendendo produtores e cooperativas, e conta com o suporte estratégico de especialistas como Luiz Gustavo Pereira, professor da Universidade de Copenhague e referência internacional em emissões na pecuária.
O futuro da ESGpec vai além das métricas ambientais. A startup pretende incluir indicadores relacionados ao bem-estar físico e mental dos trabalhadores rurais, área ainda pouco explorada no campo brasileiro. “Queremos ampliar a visão de sustentabilidade, que vai muito além das práticas ambientais. A qualidade de vida no campo também precisa entrar nessa agenda”, reforça Heloise.
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