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Histórias de Sucesso Sebrae
Empreendedores Agronegócio Café e Derivados

Produtora do Cerrado Mineiro une tradição, inovação e protagonismo na cafeicultura regenerativa

Atuação de Ana Paula Urtado à frente da Fazenda Três Meninas, em Monte Carmelo, já rendeu cerca de 20 premiações em sustentabilidade, qualidade e empreendedorismo feminino

Reconhecida entre os “101 Brasileiros que Constroem o Futuro”, prêmio promovido pelo jornal O Globo, em julho de 2026, Ana Paula Urtado se destaca pela produção de café baseada em práticas regenerativas. Ao lado do marido, Marcelo Urtado, ela se dedica, há dez anos, à gestão da Fazenda Três Meninas, em Monte Carmelo, no Cerrado Mineiro. Zootecnista, mestre e com MBA em Agronegócios, ela construiu sua trajetória unindo experiência corporativa, tradição familiar e uma visão inovadora para o futuro do agronegócio.

De família ligada à cafeicultura há quatro gerações, Paula carrega uma história que remonta aos anos 1970, quando seus familiares participaram do início da produção de café no Cerrado Mineiro. Em vez de seguir uma sucessão tradicional, ela e o marido decidiram construir o próprio negócio e escolheram a região para ser a casa da Fazenda Três Meninas, em 2016.

O empreendimento familiar, administrado pelo casal na gestão estratégica e na operação, conta com cinco funcionários fixos e chega a cerca de 20 pessoas nos períodos de maior demanda. Pioneira na cafeicultura regenerativa no Cerrado Mineiro, a Fazenda Três Meninas adotou uma visão sistêmica da produção, tratando a propriedade como um organismo vivo e buscando mais equilíbrio, resiliência e sustentabilidade.

Sustentabilidade como estratégia de crescimento

A partir da análise de dados de gestão, com apoio do Educampo – programa de assistência técnica do Sebrae Minas – e, também, da aproximação com universidades, ciência e consultorias, foi possível estruturar a estratégia para a cafeicultura regenerativa. “A contribuição do Sebrae vai além da porteira, tendo em vista que ele atua junto a cooperativas, entidades e iniciativas da Região do Cerrado Mineiro, estimulando a modernização das estratégias e a adoção de práticas capazes de responder às novas demandas do mercado”, explica.

Nesse contexto, ela destaca ações da entidade ligadas à sustentabilidade, certificação, boas práticas e ao fortalecimento das organizações da cafeicultura regional. Há ainda a atuação junto à Federação dos Cafeicultores e ao Cerrado das Águas, plataforma voltada à transformação territorial capaz de contribuir para o equilíbrio e a disponibilidade de água na região no médio e longo prazo.

Todo esse trabalho já rendeu à fazenda cerca de 20 premiações em sustentabilidade, qualidade e empreendedorismo feminino. Para Paula, o reconhecimento representa também a oportunidade de contribuir para uma cafeicultura mais produtiva e sustentável. “Nosso intuito é fazer parte de uma cafeicultura do bem, que avança e prova que é possível ser extremamente produtiva e sustentável”, afirma.

Tradição e inovação sob liderança feminina

A atuação de Paula Urtado também simboliza o crescimento do protagonismo feminino no agronegócio. Ela reconhece o legado de mulheres que abriram caminhos antes de sua geração, e vê seu trabalho como uma forma de honrar essa história e apoiar outras mulheres. “Muitas produtoras ‘amassaram barro’ para nós estarmos onde estamos. Foram invisíveis e nós estamos colhendo hoje os frutos plantados por elas”, frisa.

Em 2025, essa trajetória ganhou destaque nacional com o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na etapa Minas Gerais, uma conquista que ela define como reconhecimento da consistência de sua trajetória profissional. “Fico muito honrada e feliz por minhas filhas testemunharem que todo esforço vale a pena”, diz.

À frente da Fazenda Três Meninas, Paula une tradição, gestão, ciência e inovação para construir uma cafeicultura preparada para o futuro — mais regenerativa, sustentável e conectada com as pessoas e com o território.