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Histórias de Sucesso Sebrae
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Com expansão acelerada, Polo Calçadista de Nova Serrana amplia suas perspectivas

Com novos investimentos, geração de empregos e apoio do Sebrae Minas, setor fortalece região como um dos principais polos calçadistas do país, composto por 11 municípios

Episódios

Episódio 1

A descoberta da vocação

Em meados do século 18, em uma pequena localidade do Centro-Oeste de Minas Gerais funcionava como ponto de abastecimento e hospedagem de tropeiros, migrantes e todo tipo de aventureiros em busca de ouro na região.

No local, havia um cercado – ou um curral – para abrigar animais durante a noite, especialmente para quem tinha como destino o hoje histórico município de Pitangui.

Com o passar do tempo, aquela parada passou a ser chamada de Cercado. Muitos que passavam por lá demandavam pequenos serviços de conserto ou compra de produtos de couro – como arreios, botinas e embornais – para guardar o metal tão cobiçado.

Diante da grande procura pelos artefatos, surgiram no local os primeiros mestres sapateiros. No século 19, Cercado virou arraial. E na ausência do ouro, passou mesmo a ser conhecido como um ponto produtor de artefatos de couro. Naquela época, muitos dos moradores locais já garantiam sua subsistência com aquele tipo de negócio.

Era o embrião de uma vocação econômica que nunca mais iria abandonar o local, mesmo com o passar dos séculos. No início da década de 1940, começaram a surgir as primeiras sapatarias registradas em Cercado.

Um dos pioneiros no ramo foi Geny José Ferreira, que teve como mestre o experiente sapateiro Venerando Viana, de Bom Despacho, conhecido por fabricar botinas para a polícia local. A produção era totalmente artesanal, com utilização de pregos, grude, tachinhas lixadas com cacos de vidro e pontas de linhas de costura queimadas em lamparinas.

Cercado seguiu com esse nome até 1954, quando foi emancipado e se tornou o município de Nova Serrana. A partir daquele momento e ao longo da segunda metade do século 20, a cidade passou por um intenso crescimento econômico e demográfico, conquistando o reconhecimento de capital nacional do calçado.

No início dos anos 1960, por exemplo, a região já contava com cerca de 20 pequenas empresas do setor e apresentava certa diversificação produtiva. Esse número de estabelecimentos foi rapidamente se expandindo ao longo dos anos.

O conjunto de empresas passou a constituir o Arranjo Produtivo Local (APL), liderado por Nova Serrana, cidade localizada no Centro-Oeste de Minas Gerais, a 133 km de Belo Horizonte e próxima de grandes capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória, assim como de centenas de outros importantes centros consumidores.

Com o passar dos anos, o APL constituiu o nacionalmente conhecido Polo Calçadista de Nova Serrana, um dos maiores do país, composto por mais onze municípios: Perdigão, Araújos, São Gonçalo do Pará, Bom Despacho, Conceição do Pará, Divinópolis, Igaratinga, Leandro Ferreira, Onça do Pitangui, Pará de Minas e Pitangui.

Atualmente, o polo conta com cerca de 800 empresas e engloba, juntamente com as indústrias de calcados, uma crescente rede de fornecedores. Um dos aspectos positivos é a infraestrutura logística, tão deficitária em outros polos mineiros, pois a região conta com uma malha viária composta por uma rodovia estadual e duas federais.

Nos anos 1980, um boom de crescimento

O APL de Nova Serrana passou a ter uma evolução mais acelerada a partir dos anos 1980, período marcado pelo boom industrial da região. Na mesma época, surgiam também os polos de confecção em Divinópolis, o de cerâmica vermelha em Igaratinga e o de fogos de artifício em Santo Antônio do Monte.

No entanto, apesar dos excelentes resultados, ocorria também, quase que na mesma proporção do crescimento, uma expressiva ampliação dos problemas. Para manter o ritmo de expansão, era preciso passar a desatar também muitos nós e entraves decorrentes daquele novo contexto.

As indústrias cresciam, pois havia muita demanda de mercado, mas as fábricas logo perceberam que seriam incapazes de atender aos potenciais clientes da época. Desde aquele momento inicial, o Sebrae já acompanhava o segmento e começava a atuar em prol do desenvolvimento do polo. (sugestão de destaque)

As ações da entidade ainda eram pontuais, mas já havia a percepção de que seria preciso ampliar a oferta de serviços e soluções. Algumas ações tiveram destaque, como o incentivo à implementação dos princípios de qualidade total, novas estratégias de mercado, melhorias tecnológicas e introdução de novos conceitos de design.

Na prática, era preciso introduzir inovações e criatividade na produção além de criar novos modelos de gestão para as empresas, visando obter ganhos de produtividade e aumento da competitividade.

A baixa qualidade da mão de obra era um dos principais entraves ao crescimento do setor. estava . Por outro lado, a informalidade em toda a cadeia produtiva era muito elevada, gerando uma concorrência desleal com as empresas legalmente estabelecidas.

E isso fazia crescer também a percepção de que havia na indústria informal da região um elevado nível de falsificação das marcas mais reconhecidas no mercado. Para completar o cenário, era também crescente a expressiva entrada dos calçados importados de baixo custo, vindos da Ásia, em especial, da China.

Estímulo à inovação e ampliação de mercado

O Sebrae começou a atuar de forma mais sistemática na região a partir do início da década de 1990, em sintonia com outras entidades de apoio ao setor, como o Sindicato Intermunicipal da Indústria do Calçado de Nova Serrana (Sindinova), criado em 1991 e vinculado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e à Câmara de Diretores Lojistas (CDL).

Os focos principais dessa ação passaram a ser a necessidade de investimento tecnológico nas fábricas do polo calçadista e a ampliação de mercados. Uma das iniciativas nesse sentido foi o incentivo para que um crescente número de empresas participasse da Nova Serrana Feira e Moda (NSFM) ou a Fenova (a NSFM passou a se chamar Fenova depois de um tempo? Fiquei em dúvida nesta informação), que logo se tornaria uma das mais importantes do setor no país, atraindo inclusive o interesse de compradores do exterior.

O Sebrae Minas começou também a incentivar a participação dos empreendedores em outras feiras do setor em todo o país, a organizar rodadas de negócios com lojistas e a facilitar parcerias com ênfase em soluções financeiras integradas. A partir de 1996, a instituição passou a atuar em parceria com o Sicoob Credinova para fomentar o planejamento financeiro de empresas do setor calçadista.

Nas últimas décadas, o trabalho integrado dessas entidades contribuiu, de forma definitiva, para que o APL de Nova Serrana avançasse em seu processo de expansão e consolidação nos mercados nacional e internacional.

Parceria garante crédito planejado e seguro para as empresas

O crescimento de micro e pequenas empresas depende da combinação de diversos fatores, entre eles o crédito. Há quase 30 anos, o Sebrae e o Sicoob Credinova vêm atuando em conjunto no polo de Nova Serrana, com o objetivo de fomentar a expansão planejada das empresas do setor calçadista.

A parceria surgiu a partir da realização de diversas edições do Empretec na região, seminário intensivo criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e aplicado com exclusividade no Brasil pelo Sebrae. O programa tem como meta desenvolver o comportamento empreendedor dos participantes, para se tornem mais aptos a gerir e a expandir seus negócios, identificando novas oportunidades, tomando decisões com mais segurança e aumentando a rentabilidade.

De acordo com Taitson Bessas, presidente do Sicoob Credinova, as empresas da região tinham uma carência muito grande de desenvolvimento de gestão. E o Empretec ajudou a impulsionar a profissionalização do empresariado local.

“Como cooperativa da área financeira, nossa intenção não é só fornecer crédito. Nossa função é fazer com que os empresários utilizem os recursos disponíveis de forma consciente e com o melhor aproveitamento possível, para não gerar problemas financeiros”, comenta.

E o Sebrae orienta muito bem o empresariado local sobre as melhores formas de lidar com as operações de crédito. Por isso, nossa parceria é tão importante para o segmento.

“Tudo funciona da seguinte forma: quando o Sebrae orienta uma empresa em determinado projeto, já se sabe que ela vai, possivelmente, depender de um aporte financeiro para a execução daquela iniciativa. O Sicoobentra com o crédito para ajudar a empresa a expandir”, justifica.

Taitson explica que, na maioria das vezes, os recursos são destinados à compra do maquinário necessário para elevação da produção e expansão do parque industrial. Em outras palavras, todos saem ganhando com a parceria”, explica.

“Na verdade, o Sebrae consegue fazer um ótimo planejamento financeiro para o empresário, sempre dando orientações sobre a importância de utilizar o crédito de forma planejada, evitando seu uso fora do projeto em questão. A consultoria é fundamental para que o empresário não se endivide em excesso e consiga crescer sem gerar inadimplência no mercado. Esse é o grande valor do trabalho conjunto”, enfatiza.

Os bons frutos da educação financeira

Na avaliação de Taitson, o Sebrae passou a cumprir também um outro papel de grande relevância para a comunidade local, voltado para a educação de crianças e jovens. Trata-se do programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), que visa desenvolver habilidades empreendedoras em estudantes do ensino fundamental por meio de atividades lúdicas e práticas.

O Sicoob Credinova também atua como parceiro dessa iniciativa, que visa integrar o empreendedorismo ao ambiente escolar, incentivando a criatividade, a inovação, a autonomia, o autoconhecimento e a tomada de decisões. “Acreditamos que esse é um caminho fundamental na formação de longo prazo dos jovens, para que eles tenham, no futuro, uma vida financeiramente sustentável. O trabalho do Sebrae nesse sentido, junto a alunos e professores, é importantíssimo”, detalha.

Polo atinge o estágio de pleno de crescimento

Todos os esforços realizados no polo desde os anos 1980, visando superar os gargalos e entraves surgidos ao longo do caminho, surtiram efeitos muito expressivos. Vale registrar que o polo de Nova Serrana atingiu, em 2023, o chamado estágio pleno – o maior índice de classificação dentro dos APLs mineiros.

Esse é o indicador de que um polo consegue implementar, com maior eficiência, as oportunidades das políticas implementadas, que vão desde o fortalecimento local das empresas pelo associativismo, inovação e fomento de crédito até a internacionalização do mercado.

“Nova Serrana é uma cidade do progresso!”

“O polo calçadista de Nova Serrana é o motor da economia local, com a geração de quase 20 mil empregos diretos. E ele impulsiona também outros setores, como o de serviços, comércio e a construção civil. Estamos sempre recebendo migrantes, que são responsáveis por 90% da mão de obra local”. A informação é do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Agnaldo Mendes Cordeiro, conhecido na cidade como Cabral.

O nosso setor calçadista é o que mais gera renda tributária e garante grande expressividade nacional para a cidade, pois somos reconhecidos como o polo do calçado esportivo do Brasil. Nossa indústria não faz exclusão de idade, garantindo ganhos sociais e qualidade de vida para todos. Podemos dizer que Nova Serrana é uma cidade do futuro e do progresso!

De acordo com Agnaldo, algumas marcas do polo são o empreendedorismo, a credibilidade e a competitividade, diferenciais conquistados principalmente pela parceria estratégica do poder municipal com o Sebrae. Esse trabalho em conjunto impulsionou a criação da primeira Sala Mineira do Sebrae no município. Outra iniciativa citada por ele são as Rodadas de Negócios promovidas pelo Sebrae, aproximando os empresários locais de compradores do Brasil e do mundo.

“Tudo isso facilita muito nossa competitividade no comércio nacional e internacional, pois levamos produtos confortáveis e de muita qualidade aos mercados. Outro aspecto fundamental e muito valorizado pelo empresários do polo: o Sebrae traz até nós parceiros que não saberíamos onde buscar”, justifica.

Crescimento em ritmo acelerado

“Nova Serrana pode se orgulhar por manter, há muitos anos, uma taxa de crescimento bem superior à da média nacional. Os resultados das empresas do polo demonstram isso, apesar de não serem poucos os desafios e problemas enfrentados pelos empresários”, diz.

A afirmação é de Rodrigo Martins, presidente do Sindinova, o sindicato que representa o segmento desde 1991, quando foi criado. Daquela época aos dias de hoje, foram muitos os entraves, mas também houve muitas conquistas. Entre as maiores dificuldades, está a baixa capacitação da mão de obra. A entidade vem encarando de frente essa adversidade juntos aos seus associados, que hoje já representam mais de 50% das empresas existentes no APL.

“Nós enfrentamos esse problema estrutural, mas que tem sido minimizado por algumas parcerias, como a do Sebrae e a do Senai, que vêm contribuindo muito para a capacitação da mão de obra ao longo dos anos. Estamos sempre buscando técnicos eletricistas e mecânicos, por exemplo. O polo recebe muita gente de fora, e a tarefa de ensinar o pessoal a trabalhar no setor sempre foi um desafio para as empresas, pois a falta de profissionais é muito grande. O Senai tem trabalhado muito também com a formação dos jovens aprendizes, que representam o nosso futuro”, pontua.

De acordo com Rodrigo, o Sindinova tem sido um ator importante em ações junto a entidades governamentais em níveis nacional, estadual e municipal em defesa do setor e do fortalecimento das empresas locais, atuando em questões relativas a importações e tributações, entre outras.

“O Sebrae nos ajuda a olhar para o futuro”

O dirigente ressalta a parceria com o Sebrae em diversas frentes, como nas Rodadas de Negócios, que já incluem participantes de outros países, assim como as missões internacionais de prospecção em busca de mercados ainda não explorados e de novos canais de vendas.

“O Sebrae é um grande parceiro de longa data e temos um carinho muito grande em falar sobre a entidade, cuja equipe está sempre disposta a nos ajudar em tudo o que for preciso ou possível. Temos feito também diversos programas de capacitação envolvendo vários aspectos dos nossos negócios, como finanças, administração e até mesmo desenvolvimento de novas coleções”, ressalta.

Para Rodrigo, os profissionais do Sebrae têm cada vez mais credibilidade junto a pequenas e médias empresas em função do trabalho de longo prazo que fazem. Segundo ele, esses profissionais vêm plantando as sementes desde muito tempo e, consequentemente, ganhando muita confiança por parte dos empresários.

“Eles pegam nas mãos das pessoas e as auxiliam a ir para frente, sempre ensinando as melhores práticas e incentivando na hora de ir adiante. E também ajudam a organizar as agendas e a buscar bons parceiros. Sem dúvida, os técnicos do Sebrae realizam um trabalho que nos dá a certeza de um futuro muito promissor, especialmente em um mercado tão competitivo”, reforça.

Mais qualidade e diversificação da produção

Para o presidente da CDL de Nova Serrana, Rinaldo Heleno Correa, as novas tecnologias e o processo constante de inovação têm gerado benefícios sem precedentes para a economia do polo. São ganhos que se tornam, a cada dia, mais evidentes nas vitrines das lojas de todo o país. Os resultados mais expressivos desse cenário são, sem dúvida, a constante melhora da qualidade dos produtos e a diversificação da produção da região.

Segundo ele, as fábricas têm investido nesse processo de busca por melhorias, que vem acompanhado de reduções nos prazos de entregas, atendendo às necessidades dos clientes de forma mais eficiente.

“Temos diversificado bastante nossa produção, agregando qualidade às nossas marcas, envolvendo não só o calçado tradicional, mas os tênis, as linhas femininas, infantis e as modinhas. Por isso, Nova Serrana se tornou tão reconhecida em nível nacional”, diz.

O dirigente destaca o trabalho conjunto da CDL com o Sebrae e o Sindinova, que visa fortalecer o comércio e a indústria locais. As empresas contam com treinamento qualificado voltado para produção e vendas. E essas são iniciativas das entidades, que promovem workshops e eventos com palestrantes renomados. Ele cita ainda as missões de empresários ao exterior, com o objetivo de conhecer experiências exitosas que ajudam a aprimorar a indústria local.

Na avaliação de Rinaldo, a concorrência existente entre as empresas do próprio polo apresenta aspectos positivos, como a ampliação do investimento das fábricas em estudos de mercado e em treinamento da mão de obra, com o objetivo de melhorar a qualidade e a diferenciação dos produtos. e

Melhor posicionamento no mercado

De acordo com Rinaldo, esse treinamento e a transmissão de conhecimento têm sido pontos altos dos serviços prestados pelo Sebrae para as empresas do setor, com apoio da CDL. Ele salienta que esse trabalho envolve também a realização de pesquisas que ajudam as empresas a se posicionarem de uma maneira cada vez mais eficaz no mercado.

“Essas iniciativas são muito bem-vindas, uma vez que Nova Serrana atingiu um patamar muito bom de expansão de mercados. Muitas empresas chegam a sair do entorno da cidade para se instalarem dentro do município, sempre com a meta de se aproximarem de fornecedores e clientes. As ações do Sebrae na área de pesquisa ajudam, também, a identificar gargalos na oferta de produtos. Sabemos, por experiência, que o trabalho da entidade pode ser ainda muito mais positivo na medida em que mais micro ou pequenos empresários passam a participar das ações e a conhecer melhor as demandas de mercados”, diz Rinaldo.