Ir para o conteúdo
Histórias de Sucesso Sebrae
Empreendedores Turismo

Jovem encontra no empreendedorismo social motivação para transformar comunidade quilombola

Romário Moreira deixou carreira em instituição bancária para se dedicar ao turismo comunitário no Quilombo São Domingos, em Paracatu

Nascido e criado no Quilombo São Domingos, em Paracatu, Romário Moreira da Silva, de 31 anos, reconhece em suas raízes o caminho para construir um futuro melhor para sua comunidade. Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, ele trocou sua carreira em um grande banco para atuar como agente cultural, anfitrião e guia do primeiro projeto de afroturismo desenvolvido pelo Sebrae Minas no estado.

“A tecnologia me encanta, mas as pessoas sempre foram minha prioridade. Trabalhar pelo desenvolvimento da comunidade é uma missão, é algo que considero minha vocação”, declara.

Envolvido integralmente no projeto, Romário é membro fundador, integrante da equipe de governança, anfitrião do atrativo ‘Trilha do Morro do Pineco’, guia turístico e responsável pelas redes sociais do @quilombosaodomingos. E quando perguntado se ele se vê como um empreendedor social, não deixa dúvidas. “Empreender é mover pessoas, criar oportunidades, fortalecer raízes e construir caminhos coletivos. Sou um empreendedor social no sentido mais profundo da palavra, alguém que usa conhecimento, trabalho e inovação para transformar a realidade da comunidade”, frisa.

Conhecimento como ferramenta de autoestima e pertença

A dedicação às origens também levou o empreendedor social a compartilhar seu conhecimento profissional com as novas gerações. Desde o ano passado, por meio da Associação do São Domingos, em parceria com a mineradora Kinross, Romário ministra aulas de informática para crianças e jovens, de 6 a 17 anos, no Centro Comunitário. “Trabalhamos conteúdos práticos sobre planilhas, apresentações, Word, digitação e internet, mas sempre conectados à nossa história, cultura e identidade quilombola. Cada atividade é pensada para fortalecer a autoestima, o pertencimento e a perspectiva de futuro”, destaca.

Diante deste cenário, ele acredita que as novas possibilidades de renda que chegam à comunidade, a partir do trabalho social e do afroturismo, podem contribuir para que os jovens permaneçam no território. Distante a apenas quatro quilômetros do Centro de Paracatu, o Quilombo é visto como símbolo de resistência, de preservação da cultura negra, e também uma alternativa viável para o crescimento pessoal e coletivo. “A comunidade sempre foi minha base, como uma grande família. Aqui, aprendi na prática o significado de cuidar do outro moldando, assim, o meu desejo de contribuir para um futuro melhor para todos”, explica.