Em 2025, 485 instituições de ensino foram atendidas por 27 bolsistas vinculados ao ALI (Agente Local de Inovação) Educação Empreendedora em Minas Gerais, estado que, há três anos, foi escolhido pelo Sistema Sebrae para testar um programa de extensionismo tecnológico que, entre outros propósitos, incentiva a incorporação de práticas inovadoras ao ambiente escolar. Além de ilustrar o sucesso da iniciativa, o número traduz o compromisso do Sebrae Minas com a formação de cidadãos conscientes dos desafios da sociedade e capacitados para contribuir com soluções.
Não à toa, escolas mineiras têm se destacado nacionalmente por meio de projetos desenvolvidos com o apoio dos ALIs que atuam no estado. Sua missão é capacitar gestores e docentes e fomentar propostas e parcerias que beneficiem as escolas e as comunidades a que pertencem. Funciona assim: feito um diagnóstico inicial, para saber em que nível o ambiente escolar comporta a implantação da educação empreendedora e de inovações tecnológicas e analógicas, é traçado um plano de ação para capacitar gestores e professores a atuarem como transmissores de conhecimento aos alunos. A partir daí, o ALI conecta parceiros para a oferta de cursos, palestras e oficinas e passa a acompanhar as ações, durante um ano. Depois, um novo diagnóstico é realizado para dimensionar a evolução dos indicadores. “O ponto mais inspirador é ver que a mudança não vem de fora, mas de dentro, quando gestores, professores e alunos percebem que têm nas mãos a criatividade necessária para construir soluções e dispõem de meios para implementá-las”, diz Jéssica Santos, analista do Sebrae Minas.
Gincana Lixo Zero
Diretora da Escola Municipal Padre Guaritá, em Divinópolis, Centro-Oeste de Minas, Angelita Veloso Macedo acredita que “o ALI Educação Empreendedora modifica hábitos”. Ela se refere à transformação vivida por alunos e pais após a realização da Gincana Lixo Zero, que ocupou boa parte do calendário escolar em 2024. Divididas as equipes, as famílias abraçaram a ideia e a iniciativa prosperou. A tarefa a ser cumprida era coletar papelão, latas de alumínio e garrafas PET e, em seguida, comercializar o material. E deu tão certo que os alunos arrecadaram perto de R$ 10 mil. O destino dado ao recurso foi decidido por eles próprios. “O programa e suas ações visam formar cidadãos que tenham iniciativa e comportamento empreendedor, mesmo que não venham a abrir um negócio”, observa Denis Magela da Silva, analista do Sebrae Minas.
Pai de Cauã, de 13 anos, e Rafael, de 9, que estudam na Padre Guaritá, Douglas Ribeiro Rocha se encantou pelo desafio. Proprietário de um caminhão e de uma caminhonete, que utiliza há quatro anos para fazer mudanças e fretes, ele decidiu arregaçar as mangas e ajudar o filho mais velho. “Na primeira semana, enchemos a caminhonete de papelão; da segunda vez, um caminhão inteiro”, relata.
Foi o que bastou para que Douglas tivesse a ideia de propor sociedade a um amigo em um negócio de revenda de materiais recicláveis, que funciona há quase um ano. “Passamos, então, a comprar latinhas de alumínio, ferro e outros tipos de metal, que revendemos a uma empresa, responsável por prensar todo o material e repassá-lo a indústrias”, completa. Logo no primeiro mês, uma mesa para separação e uma balança com capacidade para 800 kg foram adquiridas e pagas à vista. E a renda familiar da família Rocha cresceu aproximadamente 30%, graças ao novo empreendimento. “Também me agrada saber que estamos contribuindo para a sobrevivência de outras famílias e prestando um serviço ao meio ambiente. E, de quebra, estamos despertando um bom hábito nos filhos, que hoje fazem questão de separar adequadamente o lixo de casa”, assinala Douglas.

Inovação nas escolas de Patos de Minas
Outro município mineiro que tem registrado avanços significativos em educação empreendedora é Patos de Minas, no Alto Paranaíba. Isso graças à implantação do Plano Local de Inovação (PLI), que engloba um conjunto de ações apontadas em diagnóstico que orienta a inclusão da inovação e da tecnologia na prática pedagógica das escolas das redes públicas municipal e estadual. “O PLI marcou o início de uma mudança de mentalidade que introduziu definitivamente a inovação na educação empreendedora de Patos”, afirma Marcos Geraldo Alves da Silva, gerente da Regional Noroeste e Alto Paranaíba do Sebrae Minas.
Bem antes disso, em 2012, o município inaugurou a Feira de Educação Empreendedora e Cooperativismo. O evento anual rompeu paradigmas do ensino convencional, ao possibilitar que estudantes desenvolvessem projetos inovadores no ambiente escolar, experiência que fortaleceu a conexão entre docentes, discentes e a comunidade local.
Há dois anos, a Feira passou a ter como foco a temática da inovação, estimulando os alunos a pensarem em soluções “fora da caixa” para a melhoria do ambiente escolar. A iniciativa partiu do Comitê Gestor de Educação, formado pela Fundação Educacional de Patos de Minas (Fepam), mantedora do Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam), Superintendência Regional de Ensino, Secretaria Municipal de Educação, Sicoob Credicopa e Sebrae. Em 2025, a utilização da robótica e da inteligência artificial permitiu integrar conhecimentos das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática, para incentivar os alunos a explorarem novas possibilidades, exercitarem a criatividade e aprimorarem o raciocínio lógico. Ao todo, 65 professores e 1.535 estudantes de 23 escolas participaram da mostra, que passou a ser realizada no Centro de Convenções de Patos de Minas.
“A Feira é importante para que a Unipam possa atender a um dos três pilares da educação no país: a extensão. Assim, fazemos com que toda a expertise produzida internamente possa beneficiar a comunidade. Além disso, contribuímos para a melhoria da qualidade da educação básica no município”, afirma o reitor da Unipam, Henrique Carivaldo de Miranda Neto. “As escolas passam a oferecer mais do que conteúdo e engajam os alunos em torno da geração de conhecimento voltado para analisar problemas e propor soluções que beneficiem a própria comunidade escolar e contribuam para sua evolução acadêmica e pessoal”, pontua Eliane Alves Silva, da Secretaria Municipal de Educação.





