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Já bem disse o escritor Guimarães Rosa: “Minas são muitas”. Com grande extensão territorial, Minas Gerais reúne vários biomas, múltiplas culturas e atrativos diferenciados. Não à toa, o estado foi o único do Brasil a ser incluído na lista anual de melhores destinos do planeta em 2026 pela revista Condé Nast Traveler.
Para falar sobre a importância dessa seleção e sobre avanços do turismo em Minas Gerais, além do trabalho realizado pelo Sebrae Minas no setor, a Revista Histórias de Sucesso conversou com Nathália Milagres, analista da instituição.
Qual a relevância desse reconhecimento da Condé Nast Traveler?
Minas está sempre presente em listas de tendências, de diferenciais para turismo e tudo mais. Mas, nessa revista, especificamente, é a primeira vez que o estado é citado. E a Condé Nast Traveler é relevante, uma das publicações de turismo e estilo de vida mais influentes em nível mundial e que traz destinos diferenciados, não “massificados”. É uma publicação que representa o novo perfil de um viajante que quer mais conexão, vivenciar experiências singulares, diferentes e com significado. Estar nessa revista apresenta Minas Gerais a esse púbico diferenciado, que busca viagens e experiências autênticas, além de trazer luz a Minas, mostrando que aqui temos uma singularidade. O estado já é reconhecido pela receptividade, pela gastronomia, mas temos cultura, história, música, os botecos, o Cerrado, a Mata Atlântica… Eu digo que, com essa “mistura”, temos os cinco cantos do país em Minas Gerais.
A que pode ser atribuído o bom resultado de figurar nessa lista diferenciada?
Estamos em um momento de mudança no mercado de turismo, e Minas tem investido muito, e no momento certo. Promover o turismo é um trabalho de formiguinha e de longo prazo, demanda parcerias entre iniciativa privada e governos para estruturar destinos, diversificar rotas e produtos turísticos e colocar no mercado outros destinos além daqueles mais conhecidos, com um posicionamento forte no mercado tanto nacional quanto internacional. Por isso, figurar nessa publicação reflete todo o trabalho e investimento que têm sido feitos para promover o turismo em Minas Gerais.
Como avalia a evolução do mercado de turismo mineiro nos últimos anos? Temos pesquisas e dados sobre o setor?
Essa mudança no perfil do turista era esperada, mas a pandemia da Covid acelerou esse processo. As pessoas começaram a entender que viajar traz um bem-estar e é fundamental para manutenção da saúde do ser humano. E passaram a procurar um sentido para as viagens: muitas querem viajar não apenas porque está todo mundo está indo para aquele lugar. Querem fazer a viagem porque ela tem um sentido, está alinhada ao seu perfil de consumo, àquilo que faz bem, ao desejo de comer bem, de ter um momento de conexão com a natureza.

Minas Gerais proporciona tudo isso. Temos turismo religioso, histórico, cultural, ecoturismo, de aventura, gastronômico, de bem-estar. As principais plataformas demonstram o aumento da procura. Por exemplo, um levantamento inédito da plataforma Booking divulgado no último mês de outubro mostrou que Minas Gerais é o 10º estado mais procurado por brasileiros para as festas de fim de ano e o 7º mais buscado para o Carnaval de 2026. Já a pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2024, divulgada pelo IBGE, mostrou Minas Gerais como o segundo destino de viagens mais procurado do Brasil.
E é muito significativa essa valorização da relação entre cultura e turismo. O acolhimento do povo mineiro sempre foi valorizado, mas, a partir do momento em que ele foi usado para um posicionamento, proporcionando diversos direcionamentos para o turismo, houve uma escalada. Antes, uma forte referência de Minas na gastronomia era o pão de queijo. Agora, temos outros pratos típicos e a cultura do boteco se destacando. E vai além: o sotaque, por exemplo, é um ativo trabalhado. O “jeitim” mineiro de falar foi considerado o mais charmoso e cativante do país em uma pesquisa realizada pela Preply, plataforma online de aulas particulares. E o mesmo levantamento apontou que 22% dos entrevistados consideraram o povo mineiro como o melhor anfitrião. Já no Índice de Atividade Turística (Iatur), medido pelo IBGE, Minas Gerais está na liderança há mais de dois anos. As pesquisas mostram que as pessoas estão conhecendo Minas e que, quando vêm para cá, elas têm uma experiência encantadora. E isso é resultado de muito trabalho, de muito planejamento, de muita capacitação, de muito direcionamento.
Quais são as perspectivas para esse mercado? Como elas impactam os pequenos negócios?
Eu vejo o mercado do turismo muito mais dinâmico, com mais investimentos em qualificação e em novos destinos, trazendo essa particularidade “continental” que Minas Gerais tem. Em 2025, tivemos o título de Patrimônio Natural da Humanidade concedido pela Unesco ao Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, um território quase desconhecido pela população de Minas e do Brasil. E temos tido a valorização de muitos patrimônios histórico-culturais, materiais e imateriais, além de investimentos de grandes redes, movimento que gera um efeito em cadeia que alcança os pequenos negócios. O Observatório do Turismo de Minas Gerais (OTMG) tem um acompanhamento mensal que aponta o turismo como uma das atividades que mais empregam em Minas Gerais. Percebemos que os pequenos negócios estão mais fortalecidos, inclusive nesse movimento de entrada de grandes redes.
O Sebrae Minas tem um trabalho muito forte no turismo, pode falar sobre isso?
Temos uma estratégia muito bem-definida, o Check-in Turismo, que tem como objetivo fomentar o turismo em Minas Gerais, estruturando destinos, fortalecendo o trade e as governanças locais, qualificando os pequenos negócios turísticos e cadeias correlatas e, por fim, promovendo os destinos turísticos. É exemplo o trabalho com o Governo do Estado, via Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, de estruturação e fortalecimento de rotas para diversificar a oferta turística e erar mais emprego e renda para o nosso estado. Os resultados de 2025 ainda estão sendo finalizados, mas já temos números relevantes. Atuamos em mais de 350 municípios de forma organizada, qualificando empreendedores, criando produtos, estruturando destinos e promovendo os pequenos negócios. Todo esse trabalho de sensibilização, de mostrar que o turismo é uma atividade econômica rentável em Minas Gerais, está dando resultado. As pessoas passaram a entender que o turismo é uma atividade viável e capaz de diversificar a economia dos municípios. Quando qualificamos os pequenos negócios que dão estrutura para o turismo, estimulamos melhorias nos destinos e sensibilizamos sobre a importância de se pensar a cidade para o turismo. E isso gera impacto na qualidade de vida da comunidade local. Uma cidade bem estruturada para o turismo tem beleza, transporte coletivo, serviço de saúde e coleta de lixo, negócios competitivos, se preocupa com a sustentabilidade. Por isso, o Sebrae Minas vem incentivando as cidades para que compreendam o seu potencial e possam se desenvolver por meio do turismo.
Em 2026, quais as perspectivas do Sebrae Minas para o turismo e os pequenos negócios do setor?
Há uma perspectiva de aumento de aproximadamente 22% no faturamento dos pequenos negócios atendidos pelo Sebrae Minas. De certa forma, encerramos em 2025 um grande primeiro ciclo de investimento. Agora, temos de consolidar os produtos e alguns destinos em Minas Gerais. Estamos conectados ao mercado, e por isso, pensando em segmentos estratégicos e que vêm crescendo em todo o Brasil e com uma demanda internacional expressiva, como o afroturismo. Para 2026 estão previstos o lançamento de novas rotas e produtos turísticos, a realização de uma rodada de negócios e a continuidade das participações em feiras e de capacitações, além da manutenção do posicionamento estratégico no mercado.
Impactos gerados
