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Produtora da Região do Serro supera resistência familiar e vira referência na produção de queijo
Empreendedora é a quinta na geração da família a trabalhar com o produto e divide a gestão com a filha Jady, de 24 anos
Quem prova o nosso queijo tem uma experiência sensorial. Além da qualidade, ele proporciona lembranças afetivas. A Rota é um outro caminho de apresentar para o mundo o nosso modo de fazer este Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade
Por Samuel Martins

É do alto da Cordilheira do Espinhaço, localizada a mais de 1 mil metros acima do nível do mar, que a Região do Serro prova sua identidade única. No encontro entre os biomas Cerrado e Mata Atlântica, o clima da Serra, com dias quentes e noites frescas, junto à potencialidade hídrica e um solo fértil em minerais, definem o sabor que diferencia o Queijo Minas Artesanal produzido no território há pelo menos três séculos. Cada elemento tem uma função que garante uma iguaria com características próprias.

Entre as cerca de 600 famílias que vivem da produção, está a de Christiane Brandão, primeira mulher a assumir o comando da Fazenda Maria Nunes. Ela divide a gestão com a filha Jady, de 24. A pequena Maitê Brandão, de um ano, é neta da empreendedora e uma aposta futura para a continuidade do legado.

Em Belo Horizonte, formou-se em Sistemas de Informação, mas mantinha o sonho de retornar para sua origem. “Em 2012, com o falecimento do meu pai, larguei tudo e voltei para a fazenda. Foi necessário aprender e reaprender de forma desafiadora, pois herdei uma terra em que precisei construir tudo, praticamente, do zero”, conta.

Ao mesmo tempo em que encabeçava o processo do inventário, Christiane encarou o desafio com o objetivo de reerguer o patrimônio da família. “Nunca encontrei a porta aberta pelo meu pai, mas isso não foi empecilho. Eu nasci e cresci na roça, observava meu pai na produção de queijo e manejo com o gado. Isso sempre esteve na minha memória, além do sonho de estar nesta posição nunca ter se apagado dentro de mim”, frisa.

A desigualdade de gênero que marcava o negócio precisava ficar no passado. “No trabalho com o meu pai, havia apenas uma mulher. Ela recebia meio salário, enquanto os homens ganhavam um. E ela ainda trabalhava mais do que eles, pois além de desempenhar as mesmas funções, liderava a equipe. Hoje, todos os salários são equiparados”, reforça.

A participação feminina é um pilar valorizado pela empreendedora na gestão do negócio. Além de contratar mais funcionárias, sua filha está cursando Agronomia, e a neta é criada nesse ambiente. Para a família, o queijo é um produto de origem e está conectado ao pertencimento. “Em muitas fazendas, o produto é feito pelas mãos das mulheres, mas, ainda assim, recebe o nome do produtor, pois as mulheres não se sentem pertencentes. Já que conduzimos esta tradição, a nossa luta é para termos expressão e sermos valorizadas”, pontua.

Resolvida a gestão, a produtora rural recorreu ao suporte técnico para aperfeiçoar os processos, e gerar mais qualidade para seu produto. Em 2015, passou a fazer parte do projeto Região do Serro, desenvolvido pelo Sebrae Minas. No grupo, participa de diversas ações como a criação da marca coletiva, implementação das ações da Cultura da Cooperação, além de integrar o Conselho Regulador da Indicação Geográfica Serro.

O investimento na qualidade do produto gerou reconhecimento nacional e internacional. O queijo Maria Nunes conquistou uma medalha de Ouro e três de Prata, no “Mondial du Fromage” – Mundial de Queijos e Produtos Lácteos, na França. Neste concurso, os 250 jurados analisaram 1.640 queijos, e o Maria Nunes foi consagrado como 17º melhor do mundo. O produto ainda carrega sete medalhas do Mundial do Queijo no Brasil.

Um dos primeiros desafios da fase adulta de Christiane foi o enfrentamento ao machismo. Seu pai, com base nos princípios da época, era resistente em trabalhar a sucessão familiar entre os filhos e nem imaginava esta possibilidade entre as mulheres.

“Em 2012, com o falecimento do meu pai, larguei tudo e voltei para a fazenda. Foi necessário aprender e reaprender de forma desafiadora, pois herdei uma terra em que precisei construir tudo, praticamente, do zero”

Impactos gerados

Reconhecimento internacional

17º melhor queijo do mundo no Mondial du Fromage, na França

Começo praticamente do zero

Presença na Rota do Queijo da Região do Serro