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Inspirada na avó, pesquisadora cria plataforma pioneira para reabilitação de idosos
Startup Reabnet, de Uberlândia, transforma pesquisas científicas em jogos para recuperação de pacientes pós-AVC
Minha avó foi a pessoa mais esforçada que conheci, ela fazia todos os exercícios que eu passava.
Por Vanessa Braga

Uma experiência pessoal marcou a trajetória da educadora física e pesquisadora Isabela Marques. Inspirada na avó, Maria, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e enfrentou o desafio da reabilitação, ela fundou a startup Reabnet, em Uberlândia. A convivência nesse processo motivou a empreendedora a desenvolver uma solução inovadora que, hoje, impacta pacientes no Brasil e em países como Suécia, França e Inglaterra.

“Minha avó foi a pessoa mais esforçada que conheci. Ela fazia todos os exercícios que eu passava, e chegou a voltar a andar depois do AVC. Mas, com o tempo, por conta da idade e da fraqueza causada pela doença, perdeu novamente a mobilidade”, lembra.

Graduada em Educação Física, Isabela sempre teve ligação afetiva e profissional com o público idoso. Mas ao acompanhar o drama da avó, sentiu a necessidade de buscar respostas para além da sua área de formação, e tomou uma decisão ousada: mudar de campo e ingressar no mestrado em Engenharia Elétrica, em uma linha de pesquisa voltada à reabilitação. ” Esse desejo de oferecer algo mais eficaz para ela e para outros pacientes me motivou a aprofundar os estudos”, conta.

Durante o mestrado e, posteriormente, no doutorado, Isabela mergulhou no desenvolvimento de tecnologias voltadas para a recuperação de pessoas que sofreram AVC. Nesse período, conheceu os benefícios do uso de games terapêuticos. “As pesquisas mostraram que a combinação da fisioterapia tradicional com os jogos digitais potencializa os resultados. Os pacientes ganham mais engajamento e apresentam evolução em aspectos funcionais e de qualidade de vida”, explica.

Recuperação transformada com realidade virtual

Com base nesse conhecimento, surgiu a Reabnet, plataforma de telerreabilitação por meio de realidade virtual que permite ao paciente realizar atividades de recuperação em casa, apenas com o celular ou computador. A empresa foi criada por Isabela Marques, em parceria com outros sócios, muitos deles também pesquisadores, que somaram suas experiências para transformar ciência em solução de mercado.

O projeto contou com o apoio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), fundamentais no desenvolvimento da tecnologia. “Com a plataforma, além de tratar os pacientes, conseguimos avaliá-los a partir dos jogos. Nossas soluções foram premiadas internacionalmente, o que reforça a qualidade e inovação da nossa tecnologia”, destaca.

Hoje, a empresa reúne uma equipe multidisciplinar com 18 profissionais – a maioria doutores em suas áreas – entre engenheiros, fisioterapeutas, educadores físicos, biomédicos, designers e especialistas em tecnologia. “O diferencial é que nosso produto é desenvolvido por cientistas e validado cientificamente. Não é só inovador, é comprovadamente eficaz”, ressalta.

Com os primeiros pacientes também vieram os primeiros relatos de sucesso. Um senhor que havia sofrido AVC, há dez anos, contou que não conseguia levantar o braço desde então. Após a sétima sessão com os jogos desenvolvidos pela equipe, ele teve uma surpresa: “Durante o sono, conseguiu erguer o braço pela primeira vez, em uma década. Foi um daqueles momentos que reforçam a certeza de que estamos no caminho certo. A ciência muda vidas”, recorda.

No negócio, a empreendedora também contou com o apoio do Sebrae Minas, por meio do Programa de Aceleração em Saúde. Durante as mentorias, Isabela recebeu orientações para transformar a pesquisa em negócio. “O Sebrae mudou a nossa mentalidade. Eu pensava como pesquisadora e, com as mentorias, comecei a pensar como empresária, e isso foi fundamental para crescermos”, afirma.

Fundada em março de 2023, a Reabnet começou a comercializar a solução em setembro do ano passado, e já participa de provas de conceito em hospitais e instituições de saúde, além de parcerias com a Unimed e hospitais de universidades públicas. A guinada da academia para o empreendedorismo também trouxe reconhecimento. Neste ano, Isabela conquistou o 2º lugar no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, em Minas Gerais, na categoria Inovação, um dos principais do estado voltados ao empreendedorismo feminino.

Para o futuro, ela projeta expansão internacional antes do previsto, e sonha em atender milhares de pessoas simultaneamente. “Eu atendia dois ou três pacientes por horário. Agora, com a Reabnet, posso impactar milhares. É a realização de um desejo antigo: ajudar o maior número possível de pessoas a terem qualidade de vida”, resume.

Impactos gerados