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Polo Moveleiro de Ubá: uma história de sucesso, geração de riqueza e bem-estar social

Muitos relatos sobre empreendedorismo, superação de barreiras e esforços pelo desenvolvimento revelam a importância do Polo Moveleiro de Ubá e seu valor econômico e social como propulsor da indústria local e da qualidade de vida da população dos nove municípios que o compõem: Ubá, Visconde do Rio Branco, São Geraldo, Tocantins, Piraúba, Rio Pomba, Rodeiro, Guidoval e Guiricema.

Vamos conhecer, em três episódios, essa história de sucesso, narrada por personagens que viveram o passado, enfrentam os desafios do presente e sonham com o futuro promissor desse importante Arranjo Produtivo Local (APL).

Episódio 1
Episódio 2
Episódio 3
Episódio 4
Episódio 1
Episódio 2
Episódio 3

Das marcenarias artesanais ao início da industrialização

Tudo começou com a chegada dos primeiros imigrantes vindos da Itália para a região, especialmente a partir de meados do século 19. Em 1857, o então povoado de São Januário de Ubá foi elevado à categoria de cidade, que passou a ser denominada de Ubá.

Eles exerciam diversos ofícios, mas a maioria deles era de marceneiros. Como relata Heliane Martins, gerente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), muitos italianos trouxeram as suas ferramentas e começaram a montar pequenas marcenarias.

Por isso, podemos dizer que, em Ubá, a madeira nunca foi apenas matéria-prima. Ela era também um destino – e que não foi dado de graça, mas construído a muitas mãos e com muita labuta pelos primeiros artesãos. Eles trabalhavam em  pequenas oficinas, escondidas no fundo das casas.

Eram marcenarias de quintal e fábricas improvisadas, que usavam caixotes de madeira para dar forma a móveis que, décadas mais tarde, estariam nos quatro cantos do mundo. De lá para cá, muita coisa aconteceu para transformar Ubá e região no mais importante polo moveleiro de Minas e um dos maiores do Brasil.

De acordo com Cláudio Oliveira, diretor das escolas do Senai no município, as fábricas de móveis surgiram ainda na década de 1960. “Eram produções bem familiares, e cada empresa fazia um pouquinho. Surgiu uma empresa que se destacou, depois, veio a segunda, e isso não parou mais”, relata.

A região se firmou, até os anos 1980, como um setor industrial já bem estruturado. E foi nesse período, com o Arranjo Produtivo Local já consolidado, que ocorreu o boom de crescimento do Polo Moveleiro de Ubá.

Naquela década, a indústria foi ganhando cada vez mais força. Muitos ex-funcionários de fábricas, com conhecimento já adquirido e muita coragem, começaram a abrir seus próprios negócios. Ou seja, o que começou de forma artesanal logo se transformou em um novo capítulo para a indústria local.

Cláudio ressalta que, já na década de 1990, as empresas passaram a contar com o apoio de diversas entidades para consolidar a gestão profissional de seus negócios. Além do Senai, que chegou à região em 1992, as empresas passaram a contar com o suporte do Sebrae e do Intersind:

Essa ação sinérgica das três entidades era o elo que faltava para conectar, efetivamente, os pequenos empresários. O objetivo comum era dar um sentido mais profissional para uma atuação em cadeia, visando fomentar o desenvolvimento local. Surgiram também diversas parcerias customizadas entre as empresas locais.

A partir desse impulso, o setor passou a fortalecer suas marcas enquanto polo moveleiro, conseguindo negociar melhores contratos com fornecedores, e a expandir os seus produtos para novos mercados, em nível nacional e internacional, com o apoio do Senai e do Sebrae. 

Movidos pelo empreendedorismo

 Alguns empresários, hoje com negócios bem consolidados, relembram daqueles primeiros anos, como Gilberto Salêtto, atual presidente do Intersind:

Eu via a história dos outros empresários. Sabia que muitos saíram de alguma empresa e montaram suas próprias empresas. Então, pensei: eu também posso ser mais um dentro desse nicho de empresários e de pessoas empreendedoras da nossa cidade.

 Outro exemplo é o de Walmir Rocha Lopes, que começou a vida profissional na fábrica de móveis do pai:

 Da fabricação de mesa e cadeira, nós passamos a fazer a sala inteira e fomos crescendo, mesmo que desordenadamente. Passamos a comprar em feiras do setor muitos maquinários de ponta. Expandimos os negócios, chegamos ao mercado externo. Atualmente, somos uma das maiores fábricas de móveis da região.

 Além de industrial, Walmir é hoje prefeito de São Geraldo, um dos municípios do polo. Como se poderia imaginar, o que estimula e impulsiona empresários como Gilberto e Walmir, assim como tantos outros que sonharam e ajudaram a construir o Polo Moveleiro de Ubá, tem nome: empreendedorismo. E são eles mesmos que  enfatizam que não fazem isso sozinhos, como ressalta Heliane:

Sem dúvida, o empreendedorismo é a grande chave e a mola propulsora que garante o diferencial do nosso setor. E isso tem sido possível por meio da ação de entidades como o Sebrae, que tem gerado muito conhecimento para os empreendedores do polo. Foram as tantas ações da entidade, ao longo de todos esses anos, que transformaram a vida desses empresários.

 Impactos nas novas gerações

 As transformações ocorridas em Ubá, impulsionadas pelo empreendedorismo, não fez a diferença somente na carreira dos empresários locais. As mudanças tiveram impacto na vida de muita gente, a exemplo da jovem Júlia Gonçalves Coelho, cujo pai encontrou na indústria moveleira o caminho para dar um futuro mais digno para a sua família. Ela passou no Enem, para o curso de Publicidade na Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória, a 500 quilômetros de Ubá.

Meu pai trabalha na indústria moveleira desde os 15 anos e sempre valorizou muito o estudo. Ele dizia: “Júlia, nunca vou conseguir deixar nada físico para você e seu irmão. A única coisa que eu consigo deixar para vocês é o estudo”. Então, perguntei para ele: “Eu posso ir? Pois vai ter o custo de moradia, transporte etc.”. E ele respondeu: “Eu vou arregaçar as mangas e você vai. Não vai deixar de estudar porque é longe, pois você tem de cumprir o seu sonho.

A transformação graças à carreira do pai na indústria moveleira foi significativa. E permitiu que Júlia trabalhasse com clientes no mesmo setor.

Eu encarei tudo, fui e me formei. Hoje, estou de volta, trabalhando em Ubá em um agência de publicidade. E meus clientes são da indústria moveleira! Por isso, posso dizer: o que meu pai construiu desde o começo da carreira me permite retribuir de alguma forma. E só posso agradecer ao setor moveleiro pela oportunidade que eles me deram!

Histórias como a da Júlia ajudam a compreender melhor como o polo vem contribuindo para transformar a vida de milhares de pessoas em Ubá e região. Formado por mais de 600 indústrias de móveis, o APL moveleiro gera  20 mil empregos, mas, para chegar à forma atual, foi preciso fazer como os primeiros artesãos: esculpir e talhar muito. No próximo episódio, vamos ver como se dá a organização da cadeia produtiva do setor.

 

Infográfico Episódio 1

A hora da virada: a organização da cadeia produtiva

A cidade de Ubá é nacionalmente conhecida por, pelo menos, dois motivos muito especiais: ela empresta seu nome a uma das mangas mais gostosas de Minas Gerais e foi berço de um ilustre brasileiro – o compositor e pianista Ary Barroso, autor de Aquarela do Brasil.

Com o passar do tempo, no entanto, o município começou a construir uma nova identidade, com o desenvolvimento do polo de móveis. Podemos até indagar: será que a indústria moveleira emergente se inspirou na cadência do samba de Ary, que combinava elementos regionais e modernos para ganhar o mundo?

A verdade é que o crescimento do setor tem uma outra explicação – a organização de um dos mais eficientes Arranjos Produtivos Locais (APL) de Minas e do Brasil. Há consenso, entre especialistas e empresários, de que a criação do APL foi um marco no desenvolvimento integrado da região, como afirma Cláudio Oliveira, diretor do Senai:

O APL realmente trouxe a sinergia que faltava à região e representou, desde sua criação, o elo necessário para unir pequenos e médios empresários. A iniciativa passou a dar um sentido mais profissional para a atuação das empresas de toda a cadeia produtiva. No início, tínhamos apenas empresas familiares, como as muitas que existem até hoje. Mas o arranjo começou a proporcionar aquele direcionamento comum e fundamental em um polo. Nesse sentido, todos os envolvidos foram convocados para atuar em conjunto, com o objetivo de consolidar um APL realmente forte e com elevado nível de participação.

E isso começou a ocorrer em todos os níveis, englobando fornecedores e  parceiros, com o objetivo comum de garantir a entrada das empresas em novos mercados. Essa ação foi muito pujante em Ubá, fazendo com que o polo começasse, de fato, a consolidar a estrutura que ele tem hoje.

E foi sempre uma atuação que envolvia todo mundo. Uns eram responsáveis pela capacitação, outros, pela gestão e pela inovação. Todos comprometidos com a possibilidade de realizar eventos culturais, feiras e outras iniciativas ligadas ao setor mobiliário.

Um dos aspectos mais importantes de tudo isso: agora, quando buscamos um fornecedor ou tentamos abrir um novo mercado, não entramos nesses processos como uma empresa somente, mas em nome de um polo moveleiro respeitado. Essa condição cria uma situação completamente diferenciada quando se trata de negócios.

Integração, gestão e  negócios

Nesse contexto, os empresários da região não têm dúvida sobre a importância da participação do Sebrae na organização do APL, na busca da modernização das empresas e na ampliação dos negócios. Para o líder empresarial e presidente do Intersind Gilberto Salêtto, por exemplo, a entidade trouxe à região benefícios incontáveis:

O Sebrae chegou ao polo com muita força e determinação para nos orientar e nos unir. Nós já estávamos empreendendo, mas precisávamos ser lapidados e aprender as técnicas da boa gestão e a forma de agir na legalidade. Isso inclui nossos colaboradores do administrativo, nossos gerentes de produção e o pessoal de muitas outras áreas. A entidade trouxe conhecimento e enriqueceu muito o nosso polo.

Iniciativa alavanca a competitividade

Em 2009, o Sebrae Minas implementou uma iniciativa pioneira para alavancar e potencializar a competitividade do APL. Com base em estudos sobre novos hábitos de consumo em nível mundial e principais avanços e inovações nos polos fabricantes de móveis na Europa, foi construída uma nova visão de futuro para o APL de Ubá.

Por meio desse trabalho, foram identificadas quatro áreas prioritárias de melhoria – ponto de venda, gestão de produtos (com foco em design), produção e logística – e estabelecidos programas para o aperfeiçoamento de cada segmento. Essas ações contribuíram para o reconhecimento das empresas do APL em novos mercados e a geração de maior rentabilidade para as empresas, como a de Samuel Antônio da Costa, que reconhece a importância da atuação do Sebrae no polo:

Para mim, o Sebrae é hoje a casa do empreendedor. E é de onde eu não tiro meu pé. Quando preciso de algo, eu ligo e amolo alguém lá. Alguém me atende e, quando não têm, por exemplo, um curso apropriado para o que eu preciso, eles também procuram alguma alternativa e me indicam. O Sebrae é, sem dúvida, o meu grande suporte.

Crescimento, afirmação e futuro

Do polo de Ubá, já saíram centenas de milhares de móveis como, mesas, cadeiras, estandes e muitos outros que compõem as casas e os escritórios de milhares de pessoas. Como diz o ditado,  a mesa é um lugar de comunhão, e foi assim, em volta de uma mesa de trabalho, que o Sebrae chegou a Ubá e mudou a história da região. E a entidade não trabalhou sozinha, pois foi convidando novos parceiros, compartilhando laços e fortalecendo experiências.

Nesse episódio, vamos falar mais dessas parcerias e da participação da entidade, com ênfase nos resultados obtidos e no que vem pela frente.

A gerente do Intersind, Heliane Martins, acompanhou de perto essa atuação, que sempre envolveu o trabalho conjunto de diversas entidades em prol do desenvolvimento da região. A ação do Sebrae, especificamente, começou ainda na década de 1990 e se intensificou nos anos 2000.

A parceria com o Sebrae sempre foi muito interessante, e nós tínhamos, desde o início, muitas atividades com diversas entidades, mas cada uma atuava isoladamente. Havia o trabalho da Fiemg, assim como o do Sesi, por exemplo, mas cada um realmente agia de maneira separada.

Por volta de 2003, a parceria com o Sebrae fez com que todos começassem a atuar em conjunto.  Em outras palavras, o que cada entidade sabia fazer de melhor e como poderia contribuir de forma mais eficaz. Efetivamente, todos nós começamos a nos organizar de maneira conjunta.

Posso dizer que o pulo do gato do Sebrae foi mesmo o apoio nas definições das prioridades. E isso foi fundamental para indicar às empresas o caminho do crescimento e da busca de nichos de mercado: a valorização dos produtos com design próprio. Todos sabíamos que, tradicionalmente, o setor moveleiro, em geral, sempre foi muito marcado pela cópia e pela repetição dos mesmos estilos. Nesse sentido, a entidade demonstrou, então, que o design exclusivo poderia ser o nosso grande diferencial.

Presença crescente em feiras e mostras

A partir dessas mudanças, o setor passou a investir cada vez mais na realização de feiras e em ações de divulgação de seus produtos, como no caso da Feira de Móveis de Minas Gerais (Femur). O evento foi criado em 1994 e é, hoje, um dos maiores do setor, como explica o diretor do Senai, Cláudio Oliveira:

Nessa época, foram sendo criadas as feiras e as mostras de móveis, com repercussão não só estadual e nacional. A Femur, por exemplo, que acontece de dois em dois anos, não recebe pessoas somente do Brasil todo – há pessoas do mundo inteiro visitando a cidade. Com tudo isso, são gerados negócios vultosos que impulsionam todo o polo.

Quem também ressalta a relevância das mudanças ocorridas na região é Walmir Rocha Lopes, prefeito de São Geraldo.

O polo mobiliário de Ubá realmente passou por uma transformação muito grande, com benefícios não só para São Geraldo, mas para toda a nossa região. O APL não era conhecido. Muitos empresários, no passado, repetiam o lema segundo o qual “em Ubá, nada se criava, tudo se copiava”, referindo-se às grandes empresas de móveis do sul do país. Atualmente, porém, temos uma identidade própria, com empresários de sucesso e grandes empresas de renome que exportam e, realmente, fazem o polo acontecer. E isso ocorre não só em Ubá, mas em toda a região.

 “A meta é conquistar o mundo”

Na esteira dessas transformações, o Sebrae vem realizando e apoiando diversos eventos de grande valor para a região, além da Femur. Alguns exemplos são o Seminário Moveleiro de Ubá e o programa Idear, lançado pelo Sebrae em 2024, e Ubá foi a primeira cidade de Minas a receber a iniciativa.

Muitos empresários do polo têm participado também da maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo da América Latina, a CASACOR. Um deles é o consultor e empresário Luiz Roberto:

Eu já tinha uma boa relação com o Sebrae, quando veio a possibilidade de participar da CASACOR. Não posso nem dizer que foi maravilhoso, porque foi muito mais do que isso. Não tenho nem palavras para dizer. Mas imaginem eu poder apresentar a minha produção em um evento do porte da Casacor em Belo Horizonte! Todo mundo estava lá, vendo e elogiando nossos produtos, e o Sebrae do meu lado, dando todo o apoio necessário. Foi um momento de muito amadurecimento profissional. Por isso, digo que o Sebrae transformou a minha vida.

Esse entusiasmo é compartilhado por Heliane, que afirma, com bom humor:

Ah, eu acho que a meta é conquistar o mundo. Sim, nós queremos conquistar o mundo.

 Orgulho pela história de sucesso

Como vimos nessa série, não são apenas os móveis – como as mesas ao redor das quais as famílias se reúnem e as gavetas onde guardam suas memórias – que têm as suas histórias.

Em Ubá e região, as pessoas e, em especial, os empreendedores, também têm muito o que contar. São relatos de descobertas, de novos caminhos a serem seguidos e de vocações a serem exploradas.

E também histórias de pertencimento, de uma região que está construindo uma nova identidade, da qual cada cidadão e cada cidadã deve se orgulhar e nela se reconhecer.

São narrativas de transformações de uma atividade que começou no fundo do quintal e, hoje, transformou o mundo no seu quintal. Além disso, há também em curso uma mudança ainda mais profunda, aquela que faz tudo valer a pena: a transformação real na vida das pessoas.

Afinal, foi graças ao trabalho dos pioneiros, da comunidade, de empresários e da articulação promovida pelo Sebrae e por tantos outros parceiros que o polo está escrevendo, com muito orgulho, a sua História de Sucesso.

Crescimento, afirmação e futuro

Do polo de Ubá, já saíram centenas de milhares de móveis como, mesas, cadeiras, estandes e muitos outros que compõem as casas e os escritórios de milhares de pessoas. Como diz o ditado,  a mesa é um lugar de comunhão, e foi assim, em volta de uma mesa de trabalho, que o Sebrae chegou a Ubá e mudou a história da região. E a entidade não trabalhou sozinha, pois foi convidando novos parceiros, compartilhando laços e fortalecendo experiências.

Nesse episódio, vamos falar mais dessas parcerias e da participação da entidade, com ênfase nos resultados obtidos e no que vem pela frente.

A gerente do Intersind, Heliane Martins, acompanhou de perto essa atuação, que sempre envolveu o trabalho conjunto de diversas entidades em prol do desenvolvimento da região. A ação do Sebrae, especificamente, começou ainda na década de 1990 e se intensificou nos anos 2000.

A parceria com o Sebrae sempre foi muito interessante, e nós tínhamos, desde o início, muitas atividades com diversas entidades, mas cada uma atuava isoladamente. Havia o trabalho da Fiemg, assim como o do Sesi, por exemplo, mas cada um realmente agia de maneira separada. Todos sabíamos que, tradicionalmente, o setor moveleiro, em geral, sempre foi muito marcado pela cópia e pela repetição dos mesmos estilos. Nesse sentido, a entidade demonstrou, então, que o design exclusivo poderia ser o nosso grande diferencial.

Presença crescente em feiras e mostras

A partir dessas mudanças, o setor passou a investir cada vez mais na realização de feiras e em ações de divulgação de seus produtos, como no caso da Feira de Móveis de Minas Gerais (Femur). O evento foi criado em 1994 e é, hoje, um dos maiores do setor, como explica o diretor do Senai, Cláudio Oliveira:

Nessa época, foram sendo criadas as feiras e as mostras de móveis, com repercussão não só estadual e nacional. A Femur, por exemplo, que acontece de dois em dois anos, não recebe pessoas somente do Brasil todo – há pessoas do mundo inteiro visitando a cidade. Com tudo isso, são gerados negócios vultosos que impulsionam todo o polo.

Quem também ressalta a relevância das mudanças ocorridas na região é Walmir Rocha Lopes, prefeito de São Geraldo.

O polo mobiliário de Ubá realmente passou por uma transformação muito grande, com benefícios não só para São Geraldo, mas para toda a nossa região. O APL não era conhecido. Muitos empresários, no passado, repetiam o lema segundo o qual “em Ubá, nada se criava, tudo se copiava”, referindo-se às grandes empresas de móveis do sul do país. Atualmente, porém, temos uma identidade própria, com empresários de sucesso e grandes empresas de renome que exportam e, realmente, fazem o polo acontecer. E isso ocorre não só em Ubá, mas em toda a região.

 “A meta é conquistar o mundo”

Na esteira dessas transformações, o Sebrae vem realizando e apoiando diversos eventos de grande valor para a região, além da Femur. Alguns exemplos são o Seminário Moveleiro de Ubá e o programa Idear, lançado pelo Sebrae em 2024, e Ubá foi a primeira cidade de Minas a receber a iniciativa.

Muitos empresários do polo têm participado também da maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo da América Latina, a CASACOR. Um deles é o consultor e empresário Luiz Roberto:

Eu já tinha uma boa relação com o Sebrae, quando veio a possibilidade de participar da CASACOR. Não posso nem dizer que foi maravilhoso, porque foi muito mais do que isso. Não tenho nem palavras para dizer. Mas imaginem eu poder apresentar a minha produção em um evento do porte da CASACOR em Belo Horizonte! Todo mundo estava lá, vendo e elogiando nossos produtos, e o Sebrae do meu lado, dando todo o apoio necessário. Foi um momento de muito amadurecimento profissional. Em função disso, ao voltar da Casacor eu passei a fazer uma série de mudanças nos meus produtos, pois percebi que ainda estava fazendo peças e móveis muito básicos.

Esse entusiasmo é compartilhado por Heliane, que afirma, com bom humor:

Ah, eu acho que a meta é conquistar o mundo. Sim, nós queremos conquistar o mundo.

 Orgulho pela história de sucesso

Como vimos nessa série, não são apenas os móveis – como as mesas ao redor das quais as famílias se reúnem e as gavetas onde guardam suas memórias – que têm as suas histórias.

Em Ubá e região, as pessoas e, em especial, os empreendedores, também têm muito o que contar. São relatos de descobertas, de novos caminhos a serem seguidos e de vocações a serem exploradas.

E também histórias de pertencimento, de uma região que está construindo uma nova identidade, da qual cada cidadão e cada cidadã deve se orgulhar e nela se reconhecer.

São narrativas de transformações de uma atividade que começou no fundo do quintal e, hoje, transformou o mundo no seu quintal. Além disso, há também em curso uma mudança ainda mais profunda, aquela que faz tudo valer a pena: a transformação real na vida das pessoas.

Afinal, foi graças ao trabalho dos pioneiros, da comunidade, de empresários e da articulação promovida pelo Sebrae e por tantos outros parceiros que o polo está escrevendo, com muito orgulho, a sua História de Sucesso.