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Com expansão acelerada, Polo Calçadista de Nova Serrana amplia suas perspectivas

As estradas de chão riscavam o sertão mineiro como cicatrizes, nos idos dos anos 1920, marcando a vida dura dos retirantes. Mas elas também desenhavam possibilidades e caminhos por onde tropeiros e boiadeiros cruzavam as fronteiras, levantando poeira com seus cavalos e suas boiadas.

Eles encontravam pouso naqueles lugares que eram somente passagem e, nessa trajetória, alguns moradores da região começaram a trabalhar o couro, transformando-o em botinas e arreios – ou fazendo pequenos consertos para quem precisava seguir viagem. Em pouco tempo, foram surgindo ali mestres sapateiros.

O local ficou conhecido como Cercado; mais tarde, ele se tornou o município de Nova Serrana. E foi assim que os caminhos se abriram para o que viria a ser vocação, tradição, prosperidade e identidade de um povo.

Vamos descobrir, em três episódios, como a região de Nova Serrana se transformou em uma História de Sucesso, como um dos maiores polos calçadistas do Brasil, internacionalmente conhecido.

Episódio 1
Episódio 2
Episódio 3
Episódio 4
Episódio 1
Episódio 2
Episódio 3

A descoberta da vocação

Quem conhece bem a história do polo calçadista de Nova Serrana é a bibliotecária Márcia Máximo, que trabalha na Prefeitura do município. Segundo ela, tudo começou com o povoamento da região no século 18, quando desbravadores foram à procura das minas de ouro.

Ela confirma que Cercado era um rancho de beira de caminho, onde algumas pessoas começaram a fazer consertos de selas e botinas de couro. Com o passar do tempo, já produziam artesanalmente os primeiros calçados.

De acordo com o historiador e professor William Barcelos, o polo calçadista nasceu meio ao acaso:

Nós tivemos em Nova Serrana um empreendedor chamado Geny José Ferreira. Ele foi até Bom Despacho, onde aprendeu o dom da produção de botinas com um mestre local. Ao voltar, pediu um financiamento para o pai, que comprou a primeira máquina de costura do município. Era tudo feito de modo muito artesanal quando ele criou a Fábrica de Calçados Oeste. Com alguns ajudantes, todos ex-lavradores, o nosso polo começou a se desenvolver.

Vida dura, mas cheia de oportunidades

Desde o início de sua história, Nova Serrana passou a abraçar aqueles que chegavam para tentar sobreviver na região. Era uma vida dura, mas também cheia de oportunidades. Foi assim com Sônia Maria Ferreira, que chegou ao município com toda a família, em busca de uma vida melhor.

Hoje, eu digo: Nova Serrana é uma mãe, sempre de braços abertos para quem chega. Ela nos abraça e ainda nos põe nos ombros e nos acalenta, especialmente nas horas mais difíceis.

Aguinaldo Mendes Cordeiro, secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, informa que o setor conta, atualmente, com cerca de 17 mil empregados formais. O polo impacta diretamente o desenvolvimento de outros setores, como o de comércio e serviços de modo geral, além da construção civil. A maior parcela da renda tributária do município vem do polo, assim como a geração mais expressiva dos empregos.

Ajudando a pavimentar o caminho

Desde os anos 1980, o Sebrae vem atuando na região, contribuindo para que aquela vocação se transformasse em um caminho bem pavimentado para o desenvolvimento da indústria local, como reconhece o secretário:

O Sebrae realmente se consolidou como um parceiro importante e estratégico para o nosso crescimento. Ele traz a inovação, fomenta o empreendedorismo e capacita nossos servidores do município.

Sem dúvida, ao lado dos empresários, da comunidade e de diversos outros parceiros, o Sebrae ajudou a erguer o que conhecemos hoje como o maior polo calçadista de Minas Gerais, como veremos no próximo episódio.

 

Infográfico Episódio 1

A consolidação do crescimento

Com o tempo, a indústria calçadista da região se tornou mais robusta e estruturada. Junto com a expansão acelerada, no entanto, cresceram também os problemas. E, para continuar caminhando, era preciso desatar alguns nós. Os gargalos estavam diretamente relacionados com a informalidade, a falta de inovação, a carência de mão de obra especializada e a invasão, no mercado brasileiro, dos calçados asiáticos.

Vários empresários acompanharam de perto essa evolução, como Pedro Gomes, Júnior César Silva, Jarbas Martins e Rodrigo Amaral Martins.

Desafios encarados com determinação

Para Pedro Gomes, no começo do processo de crescimento, a qualidade dos calçados deixava muito a desejar. Aos poucos, os produtos foram sendo aperfeiçoados, fazendo do polo o mais importante do setor no país.

Já a empresa de Júnior César Silva nasceu produzindo apenas calçados esportivos, o que hoje é um grande diferencial do polo:

A partir de 2014, nós começamos a produzir mais calçados femininos. Aos poucos, fomos migrando a nossa produção só para esse público. Hoje, temos 145 funcionários, vendemos para todo o mercado brasileiro e estamos direcionando a nossa produção para os private labels dos grandes magazines do país.

O empresário Jarbas Martins avalia que um dos maiores problemas do passado eram as vendas com pequenas margens de lucro, como explica:

Isso ocorria porque os intermediários brigavam muito com todos nós por causa do preço, e acabavam comprando nossos produtos por um valor muito baixo, para revender com uma margem de lucro bem elevada para eles.

Outra dificuldade era o acesso às matérias-primas. Praticamente 100% delas vinham do Rio Grande do Sul. Ou seja, a distância muito grande encarecia os preços e, ao mesmo tempo, não havia um boa infraestrutura de transporte e logística.

Rodrigo Amaral Martins, também industrial e presidente do Sindicato Intermunicipal da Indústria do Calçado de Nova Serrana (Sindinova), também relata os desafios encarados ao longo de muitos anos:

Passamos por vários problemas, sendo alguns deles de âmbito nacional, como a questão inflacionária e as sucessivas trocas de moeda que o país enfrentou. Sempre tivemos também muitos momentos de falta de mão de obra, apesar de sabermos ser esse um desafio nacional e talvez até mundial. E sofremos ainda questões relacionadas com a importação de produtos pelo mercado brasileiro, principalmente do Sudoeste Asiático e da China.

Busca de soluções e parcerias eficazes

O acesso ao crédito é uma das estratégias mais eficazes para impulsionar o crescimento de determinada região ou setor. E com Nova Serrana não foi diferente, como confirma Taitson Bessas, presidente da cooperativa de crédito Sicoob Credinova:

A nossa intenção não é apenas fornecer crédito, mas fazer com que a população use esse recurso da forma mais consciente possível, para garantir o melhor aproveitamento e não gerar problemas financeiros.

E o Sebrae é muito importante nessa parceria, pois ele orienta bem o empresariado nesse sentido. Quando eles chegam à empresa com a proposta de um projeto, sabemos que ela vai precisar de um aporte financeiro para a execução.

E é nesse contexto que entra a nossa parceria com o Sebrae. Nós entramos com esse crédito para auxiliar as empresas a crescerem. São recursos destinados à compra do maquinário necessário para ampliar a produção, a expansão do parque industrial ou até mesmo para a qualificação do quadro funcional.

Estratégias para crescer adequadamente

Como vimos, enfrentar e superar desafios para garantir o crescimento econômico depende de estratégias e tomadas de decisões corretas. Assim como numa corrida de obstáculos, aumentar a velocidade, de forma descontrolada, pode se tornar um problema.

Consciente disso, o Sebrae vem atuando junto ao polo para ajudar a organizar o setor, com estratégias voltadas para ampliar a competitividade em sintonia com os avanços tecnológicos. É o que veremos no próximo episódio.

Caminhando para o futuro

Depois do boom de crescimento industrial do Polo Calçadista de Nova Serrana nos anos 1980, a década seguinte representou outro grande salto para a região – desta vez, levando uma verdadeira revolução tecnológica para o segmento.

As principais inovações dos anos 1990 foram a introdução de programas de qualidade total e de produtos injetados, com uso de polímeros nos moldes, resultando em calçados sem costuras, mais resistentes, leves, ergonômicos e de produção rápida. E o Sebrae estava lá, participando ativamente dessa transformação.

Os empresários Sônia Maria Ferreira e Júnior César Silva, assim como o consultor Carlos Tarrasón, são testemunhas dessa contribuição. Sônia relembra alguns desafios vividos naquele período:

Nós não tínhamos nem um carro, e muito menos crédito, pois minha família não tinha uma empresa formal. Por mais que tivéssemos força de vontade para trabalhar, nos faltava conhecimento. Não sabíamos, por exemplo, fazer o layout de uma empresa ou mesmo como funcionava uma área financeira. Foi quando procuramos o Sebrae.

Não por coincidência, Júnior cita exemplos semelhantes e relata como seu negócio também recebeu o auxílio necessário:

O Sebrae apoiou todo o desenvolvimento da minha empresa, como na questão de layouts da produção e nos aspectos financeiros e de planejamento. E também nos ofereceu cursos elaborados de gestão.

Por sua vez, o presidente da CDL de Nova Serrana, Rinaldo Heleno Correa, destaca que o Sebrae sempre trouxe produtos inovadores e nunca deixou de estar atento ao comércio, com foco nas necessidades e demandas locais.

De acordo com o consultor espanhol Carlos Tarrasón, que participou ativamente da fase de investimento em tecnologia e inovação, a entidade teve papel fundamental na elaboração das estratégias de competitividade e de crescimento do polo:

O Sebrae é parceiro importante do polo, sempre apoiando a sua transformação produtiva. Em determinados momentos, deu suporte nas capacitações para que fosse possível entender melhor o mercado, assim como nas áreas de administração, marketing e vendas.

O consultor demonstra com números alguns avanços contabilizados. Em 2008, por exemplo, o polo produzia 77 milhões de pares e, em 2023, esse volume passou para quase 130 milhões, ou seja, um crescimento de 70% em 15 anos. O setor cresceu não somente na quantidade, mas também na qualidade e no valor agregado dos calçados produzidos.

Reposicionamento estratégico e capacitação

Tarrasón atuou no projeto de reposicionamento estratégico promovido pelo Sebrae em 2023, e que resultou em mudanças estruturais no desenvolvimento do setor. Essa iniciativa, ao lado de diversas outras, levou o Sebrae a receber do Sindinova, no final de 2025, o troféu “Promotor do Desenvolvimento Econômico”.

O projeto integra ações de moda rápida, identidade de marca e ações transversais que estimulam inovação, economia circular e rodadas de negócios com importadores. O trabalho também mapeou desafios do setor, como escassez de mão de obra qualificada, altos custos para automação de processos, informalidade, complexidade tributária, mudanças no perfil do consumidor e concorrência com mercados internacionais, sobretudo o chinês.

Um dos eixos de maior destaque da iniciativa foi a internacionalização do polo. Em junho de 2024, uma rodada promovida pelo programa Sebrae Exporta recebeu compradores de Chile, Colômbia, Peru e Panamá, movimentando R$ 6 milhões em três dias. Somadas às rodadas realizadas no Centro de Promoção de Negócios (CPN), as iniciativas já alcançam R$ 22 milhões em vendas, entre 2024 e 2025, ampliando significativamente a presença das empresas de Nova Serrana no mercado nacional e internacional.

Ainda em 2025, 35 empresas do polo participaram do programa Integra Moda, que totalizou 680 horas de consultorias em gestão, posicionamento, desenvolvimento de coleções com uso de Inteligência Artificial, comunicação e estratégia.

Com o apoio do Sebrae Minas, também foram realizadas cinco rodadas de negócios em 2024, conectando 439 vendedores a compradores e parceiros estratégicos. O programa movimentou cerca de R$ 1,4 milhão em novos negócios, reforçando a competitividade das marcas e fortalecendo o ecossistema de moda da região.

Incentivo à participação em feiras e eventos

Por saber da importância de uma vitrine para todos que trabalham com moda, o Sebrae sempre apoiou a participação das empresas de Nova Serrana em feiras e grandes eventos do setor calçadista. Além disso, a entidade aposta, cada vez mais, na transformação digital do negócio e na criação de uma visão de futuro para a região.

Nesse contexto, o empresário Ronaldo Lacerda destaca um fator estratégico da ação do Sebrae no polo, que é a promoção comercial:

Para você entrar para o mercado e ter visibilidade, precisa realmente estar presente nos eventos que mostram as marcas da sua indústria. E sabemos que é muito caro para uma pequena empresa participar das grandes feiras comerciais de nível nacional.

É nessa hora que o Sebrae entra nos dando todo o apoio, inclusive nos treinamentos necessários para a empresa participar das feiras. Vale lembrar que esses eventos são importantes para nos conectarmos com importadores.

Tudo isso faz a maior diferença. E não tenho dúvida de que esse é o caminho – buscar fazer sempre o melhor da nossa porta para dentro.

Outro empresário que comunga dessa convicção é André Augusto. Segundo ele, na medida em que os negócios crescem, é preciso se organizar internamente:

De fato, tenho de começar dentro da minha empresa para conseguir responder às novas demandas. As consultorias do Sebrae, principalmente a relacionada ao programa Brasil Mais Produtivo, nos ajudam muito no sentido de nos organizarmos para dar respostas ágeis e ter condições de entregar o produto mais rapidamente.

Jarbas Martins bate na mesma tecla, alterando apenas a terminologia. Para ele, o sentimento que une o empresariado de Nova Serrana atende pelo nome de espírito de colaboração.

Eu acho que esse é um dos motivos do grande sucesso do Polo Calçadista de Nova Serrana. Temos aqui uma grande proximidade, pois o pessoal está sempre junto. Sim, cada um cuida do seu negócio, mas, no momento de buscar melhorias e benefícios para o setor, estamos todos sempre unidos.

Por fim, Ronaldo Lacerda ressalta outro diferencial do APL que está se tornando, a cada dia, mais evidente a todos os empresários da região, na medida em que o polo ganha notoriedade. Ele explica:

Veja bem: todos que querem calçados com marca reconhecida e de qualidade vêm procurar em nosso polo. Nós oferecemos o que as pessoas querem para elas mesmas – ou seja, tudo o que agrega identidade e moda.

Dos sapatos feitos com prego e grude ao uso de IA

Dos sapatos feitos à mão, com prego e grude, aos calçados produzidos hoje com uso de Inteligência Artificial, a história mostra que Nova Serrana aprendeu a construir seu próprio caminho, deixando pegadas que levaram a uma nova direção para a vida de toda uma comunidade. E o Sebrae segue junto, passo a passo, sempre ao lado de quem está determinado a seguir em frente e a transformar a realidade.