A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) ocorrerá em Belém, capital do Pará, colocando o agronegócio brasileiro sob holofotes do debate mundial sobre sustentabilidade. Mais do que sediar o evento, o país é considerado líder em práticas agrícolas sustentáveis. Exemplo disso pode ser encontrado em um estudo da consultoria McKinsey, que mostrou que 61% dos produtores brasileiros utilizam produtos, processos ou tecnologias de origem biológica (animal, vegetal ou microbiana) no manejo de pragas, técnica que contribui para a redução do uso de pesticidas químicos.
A pesquisa teve a participação de 4,5 mil produtores de nove países, foi divulgada em 2024 e colocou o Brasil em uma posição superior à da União Europeia e dos Estados Unidos, onde a adoção de insumos biológicos é mais baixa. Além disso, 63% dos produtores brasileiros afirmaram utilizar biofertilizantes, que são os adubos orgânicos naturais, feitos de materiais como esterco e resíduos vegetais. Além de práticas ambientais, inúmeras outras ações sustentáveis são aplicadas pelos produtores rurais brasileiros no âmbito da governança.
Considerando que investir em métodos que minimizem impactos ambientais é pauta obrigatória para os mais diversos tamanhos de negócio, o Educampo atua como protagonista para que que pequenos produtores fornecedores de empresas do ramo de alimentação e bebidas, como Nestlé e Danone, se alinhem às melhores práticas.
O aumento da produtividade, por exemplo, é reflexo direto da adoção de manejo centrado em nutrição equilibrada, conforto ambiental e bem-estar dos animais, como explica o analista do Sebrae Minas Expedito Netto. “São avanços que resultam, por exemplo, na redução da emissão de metano entérico por litro de leite produzido, um indicador importante do impacto ambiental da pecuária.”
Na prática, o Educampo amplia a visão do produtor rural na medida em que o conecta a outros produtores e viabiliza seu acesso a práticas sustentáveis. É o que explica o produtor Alexandre Renato Ribeiro, de Ibiá, no Triângulo Mineiro, fornecedor de leite para a Nestlé há mais de 20 anos. “O mais importante do Educampo, sem dúvida, é o benchmarking. O sistema dá um parâmetro comparativo que nos ajuda a aprimorar continuamente a gestão de custo e a qualidade, além de viabilizar a adoção de soluções alinhadas a questões ambientais”, afirma.
Proprietário da Fazenda Campo Redondo, ele se mantém atento às demais propriedades fornecedoras da Nestlé – cerca de 1.200, atualmente. “Se vejo uma que está no top 1, analiso os dados de gestão para identificar o que posso aplicar em minha fazenda e trabalho com a equipe para isso. O interessante é que conseguimos comparar e, também, visitar os outros negócios para ver de perto o que estão fazendo”, diz.
Via intercâmbio de experiências, disseminação de tecnologias e aprendizado coletivo, o Educampo cria condições para que produtores rurais e técnicos construam e apliquem soluções inovadoras responsáveis e transparentes.
“O mais importante do Educampo, sem dúvida, é o benchmarking. O sistema dá um parâmetro comparativo que nos ajuda a aprimorar continuamente a gestão de custo e a qualidade, além de viabilizar a adoção de soluções alinhadas a questões ambientais”
Alexandre Renato Ribeiro, proprietário da Fazenda Campo Redondo
Impactos gerados
A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado de Monte Carmelo (MonteCCer) é a primeira cooperativa de café de baixo carbono do mundo com o apoio do Sebrae Minas
As fazendas associadas absorvem mais carbono do que emitem – as emissões alcançam apenas 3,80 toneladas de CO₂ por hectare ao ano
65% abaixo da média mundial
