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A moda é ser consciente
Programa Moda Circular incentiva empreendedores a repensar processos, preservar recursos e reduzir impactos ambientais do setor
No mundo, cerca de US$ 500 bilhões em roupas com pouco uso são jogados fora a cada ano, segundo estimativas da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece).

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Por Redação

Em sua essência, a moda é uma expressão de cultura e identidade. E, por trás do glamour das passarelas e das vitrines, é preciso ter atenção ao fato de esta ser uma das indústrias mais poluentes do planeta, atrás apenas da petrolífera.

A produção de roupas chega a gerar 8% do volume global de emissões de carbono anualmente, com 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis produzidos a cada ano no mundo, conforme pesquisa realizada pela Global Fashion Agenda (GFA). Os dados mostram ainda que cerca de 30% das roupas produzidas nunca chegam a ser vendidas, e 15% dos tecidos são descartados ainda na etapa de corte, muitas vezes em aterros e lixões.

Como resposta a esse cenário alarmante, um modelo vem despontando para preservar a sustentabilidade das empresas do setor têxtil: a moda circular. Levantamento recente do Sebrae Minas aponta esse caminho como uma das principais tendências para o setor, com previsão de representar 23% do mercado global até 2030, movimentando cerca de US$ 700 bilhões.

Nesse contexto de crise e oportunidade, o Sebrae Minas incentiva empreendedores a repensar todo o seu processo produtivo com o Programa Integra Moda Circular. A iniciativa, parte de uma ação maior, o Integra Moda, vem sendo trabalhada em uma etapa-piloto nas cidades de Belo Horizonte e Uberlândia, com o intuito de consolidar o avanço das empresas rumo a modelos mais circulares e competitivos.

O objetivo é reduzir desperdícios ambientais e financeiros na indústria da moda, além de prestar suporte técnico e criativo para aprimorar o posicionamento estratégico das marcas, por meio de ações como reaproveitamento de recursos e iniciativas socioambientais. São 204 horas de atividades, divididas entre os 20 empreendedores, que passam por diferentes etapas de capacitação e acompanhamento.

Passo a passo

A jornada Integra Moda Circular tem início com uma sensibilização, voltada à introdução sobre os conceitos da economia circular e seu potencial estratégico para o setor da moda. Na sequência, há consultorias individuais, que atendem às necessidades de cada empresa. Para isso, o Sebrae Minas realiza um diagnóstico em que avalia o grau de maturidade ESG e identifica desafios e oportunidades de implementação de práticas sustentáveis.

Cumprida essa etapa, é elaborado um plano de implementação da circularidade, com consultorias individualizadas para transformar processos produtivos e adotar estratégias regenerativas, de reutilização e logística reversa. Para finalizar, cada empresa recebe acompanhamento para implementação do plano, fase dedicada ao monitoramento dos resultados, ajustes estratégicos e mensuração dos impactos ambientais e econômicos gerados.

De acordo com Raquel Canaan, analista do Sebrae Minas, o programa aponta novos caminhos ao mostrar a quem empreende o quanto a moda sustentável passou a ser um diferencial competitivo. Para além disso, a iniciativa faz um alerta às empresas: quem não entender a importância da logística reversa e da gestão de resíduos pode estar fora do mercado em poucos anos. “O consumidor mudou e está mais exigente e consciente. Trouxemos o Integra Moda Circular para auxiliar empreendedores com um diagnóstico preciso sobre os pontos de melhoria necessários à gestão do negócio.

Além disso, há marcas que já nasceram com a pegada da sustentabilidade e não sabiam como comunicar isso como diferencial. Por meio do programa, nós as ensinamos a se posicionarem estrategicamente”, completa.

Os dados mostram a urgência dessa mudança de mentalidade em toda a cadeia produtiva: no mundo, cerca de US$ 500 bilhões em roupas com pouco uso são jogados fora a cada ano, segundo estimativas da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece). “Esse é o primeiro programa no Brasil que faz a tradução do mercado para empreendedores de pequenos negócios. É papel do Sebrae trazer essa conscientização e ajudá-los a se posicionarem e a potencializarem o seu negócio”, explica Raquel.

Cenário nacional

De acordo com a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o Brasil gera cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano. Essa realidade e as novas preocupações de empresas e da sociedade têm levado a ações como reúso, customizações e aluguel de roupas, além da produção consciente e do uso de tecidos sustentáveis. O crescimento é palpável: informações divulgadas pelo Sebrae Paraná apontam que o Brasil já conta com mais de 118 mil brechós ativos, um reflexo da mudança de comportamento do consumidor.

Carla Rocha criou uma coleção de roupas com reaproveitamento de tecidos
Crédito: Arquivo pessoal

 

Nesse cenário de mudança, a empreendedora mineira Carla Fernanda da Silva Rocha, à frente da Carla Rocha Couture (@use.Carlarocha), encontrou um novo caminho para se alinhar à agenda global de sustentabilidade. Participante do Programa Integra Moda Circular, ela está reescrevendo a história de seu ateliê em Belo Horizonte. A marca, conhecida por criar roupas sob medida com técnica e exclusividade, agora abraça a economia circular. “Aprendi tanto com a mentoria que fiz quase uma coleção inteira com reaproveitamento de tecidos, com cortes e peças que estavam parados. Uma coleção de moda autoral bem pensada e planejada, que foi um sucesso!”, comemora a empresária.

Além da redução de desperdícios e do reaproveitamento de insumos, ao integrar práticas circulares, Carla está aprimorando a gestão e a competitividade de seu negócio. Ela explica que todo o processo de modelagens passou a ser feito num programa específico. “Agora, já faço o mapa para reduzir bastante o desperdício de tecidos, que se tornou quase zero. As pequenas sobras viram sacolas, como aprendemos na mentoria”, explica. A empresária planeja aumentar o faturamento no próximo ano e reconhece que, em seu ateliê, ainda há pontos a serem modificados. O foco para 2026 será o redesenho de processos e a extensão do ciclo de vida dos produtos, para ressignificar tecidos e economizar material.

Melhor aproveitamento

Quem também está em sintonia com essa transformação é Antônio Donizeti dos Santos, da Globo EPI, empresa de Uberlândia que há mais de 20 anos atua no mercado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), atendendo a vários estados no Norte, Nordeste e Sudeste. O empreendedor descreve que o principal aprendizado obtido no Integra Moda Circular foi sobre a logística reversa e a importância do melhor aproveitamento, transformando o que antes era resíduo em recurso. Isso resultou no resgate de quase 2 mil conjuntos que seriam descartados por pequenas inconformidades. “São peças que não passaram no crivo de qualidade por terem pequenas manchas ou algo do tipo, mas a efetividade do produto é a mesma”, diz. Em vez de descartar, Donizeti venderá as peças a preços mais acessíveis, movimentando o estoque e transformando o valor em matéria-prima de alto giro.

 

O programa do Sebrae Minas também despertou na Globo EPI a necessidade de investimento em tecnologia e capacitação. A empresa já promoveu um treinamento para a equipe de corte no sistema Audaces, visando reduzir ainda mais as perdas e aumentar a produtividade no corte. “Estamos focados para ter o mínimo possível de resíduo. E o que tiver, nós vamos descartar corretamente, visto que a consciência ambiental é importante e as empresas que não se adequarem serão penalizadas”, prevê Donizeti.

Tem conteúdo disponível gratuitamente na plataforma Sebrae Play para pessoas que empreendem no segmento da moda e desejam tornar seus negócios mais competitivos, inovadores e sustentáveis. É o curso “Gestão Inteligente na Moda com mais resultados”. São dois módulos, com quatro horas de aulas no total, apresentando conceitos e exemplos que podem inspirar a marca e inovar o negócio. É uma boa chance de conhecer ferramentas para analisar oportunidades e desafios no universo da moda.

O Integra Moda é uma estratégia para fortalecer a cadeia produtiva do setor no estado. O objetivo é valorizar a diversidade e as expertises dos polos, impulsionando o empreendedorismo no setor e fortalecendo diversos segmentos da cadeia produtiva da moda em Minas Gerais. Em 2025, 1.274 micro e pequenas empresas foram capacitadas em 7.646 horas de consultoria.

Como resultado do, algumas chegaram a atingir 32% de aumento no faturamento médio anual. Uma ação de destaque é o evento Integra Moda Negócios, no qual as empresas apresentam seus produtos a compradores qualificados de várias regiões do país. Neste ano, o evento, realizado em agosto, alcançou o marco de R$ 2,5 milhões em prospecção de vendas e mais de 60 mil peças vendidas. Foram 115 compradores negociando com 49 empresários de marcas mineiras. O resultado do evento superou em 25% o total vendido na edição de 2024.

 

Impactos gerados

Integra Moda

Em 2025, 1.274 micro e pequenas empresas foram capacitadas em 7.646 horas de consultoria por meio do programa.

 

 

 

O objetivo da iniciativa é valorizar a diversidade e as expertises dos polos, impulsionando o empreendedorismo no setor e fortalecendo diversos segmentos da cadeia produtiva da moda em Minas Gerais.

 

Em 2025, o Integra Moda Negócios, uma das ações do programa, alcançou o marco de R$ 2,5 milhões em prospecção de vendas e mais de 60 mil peças vendidas. Foram 115 compradores negociando com 49 empresários de marcas mineiras.