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“O próximo passo é o mundo”, sonha a artesã Anísia Lima, do Vale do Jequitinhonha

Trabalho de ceramista carrega identidade e memória ao revelar cenas do cotidiano, vivências, sentimentos e crenças da região

Ao moldar o barro que dá origem às peças de cerâmica reconhecidas nacional e internacionalmente, a artesã Anísia Lima garante, além de renda para manter a família, a preservação de saberes ancestrais das comunidades locais. Esse trabalho carrega identidade e memória ao revelar cenas do cotidiano, vivências, sentimentos e crenças da região do Vale do Jequitinhonha, no Nordeste de Minas Gerais.

Aos oito anos de idade, observando a mãe trabalhar, ela deu forma às primeiras peças utilitárias. O barro, encontrado em seu quintal, rapidamente revelou-se como matéria-prima para a sua vocação. Aos 15 anos, a artista descobriu que desejava mais do que produzir utensílios: queria contar histórias por meio de bonecas de cerâmica.

No início, o trabalho artesanal servia para complementar a renda de sua família, que tinha a lavoura como principal fonte de sustento. “As peças eram vendidas aqui mesmo. Faltava acesso a mercados e reconhecimento do artesanato como negócio sustentável”, lembra.

Torrões de barro são retirados da pequena propriedade rural da família e triturados até formar a argila

Hoje, Anísia comanda a produção do ateliê, onde trabalham o marido, Mauro Dias, as filhas, Jaqueline e Cibele Dias, e o genro, Marcos Lopes, esposo de Jaqueline. No espaço, sua neta de 9 anos, Ana Laura Dias, também já ensaia a produção de suas primeiras peças. Juntos, produzem potes, filtros, bonecas, boleiras, moringas e diversas peças decorativas e utilitárias. O que antes era uma atividade complementar, tornou-se a principal fonte de renda da família.

Todo o processo de produção é artesanal. Os torrões de barro são retirados da pequena propriedade rural da família e triturados até formar a argila. De lá, seguem para o ateliê, anexo à casa, onde as bonecas ganham forma. As tintas, chamadas de ‘oleio’, são extraídas da terra. “Tudo é natural, sem nenhum produto químico. Até a queima das peças é feita em forno de barro, à base de lenha”, explica.