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Após incêndio, produtora transforma área degradada em cultivo de café agroflorestal
Ana Trindade recupera propriedade com do plantio de mais de 1 mil arvores nativas do Cerrado e investe na cafeicultura
O incêndio representou uma virada de página na minha vida. Foi uma oportunidade para transformar minha propriedade em um negócio interessante

Conheça o trabalho de Ana Trindade por meio do perfil do Café Serra Preta

Por Roger Dias

Entre as paisagens exuberantes da Serra da Canastra, um desejo de obter refúgio no campo se transformou em um projeto de vida e regeneração ambiental. Ao trocar o mundo corporativo pela tranquilidade do meio rural em Delfinópolis, a ex-executiva da Coca Cola Ana Trindade se tornou produtora dos cafés especiais da marca Serra Preta – cultivados após a difícil recuperação de uma área degradada da fazenda.

A história teve diversas reviravoltas. Em 2006, Ana adquiriu o sítio e deu inicio ao processo de recuperação por meio do plantio de mais de 1 mil arvores nativas do Cerrado. Ao longos dos anos, ainda na Coca Cola, plantou 10 mil árvores nativas. Quando se aposentou, em dezembro de 2016, executou a ONG Instituto Candeias, na qual criou um viveiro para 30 mil mudas do Cerrado, além de fazer parcerias com a Uemg (Universidade Estadual de Minas Gerais), para recuperar áreas degradadas e nascentes ao seu entorno com a parceria de bolsistas.

Porém, o capítulo mais triste da história aconteceu em seguida: um fogaréu acidental, causado por um vizinho que queimava lixo, destruiu quase toda a plantação. A tragédia acendeu nela o propósito de reconstruir o que foi perdido e gerar impacto positivo.

Logo, Ana se uniu a outros agrônomos trabalharam novamente do zero. Reconheceram o solo e suas necessidades, estudaram as espécies de café e planejaram quais espécies de árvores seriam plantadas em consórcio. Ana iniciou um processo de recuperação ambiental, com a plantação de 8 mil pés de café arábica da variedade arara, obatã amarelo e catuí vermelho. Nascia ali o projeto de café agroflorestal – a produção é integrada com árvores e outras plantas, imitando ambientes de floresta. Essa prática oferece benefícios como a regeneração do solo, melhoria da qualidade da água, aumento da biodiversidade e regulação do clima local.

O projeto surtiu efeito, já que seus cafés atingiram excelentes pontuações nos diversos concursos e análises feitas pelos especialistas. Nesse processo, teve ajuda por meio da consultorias do agrônomo Kenji Tamaki e do reconhecido produtor de café e agrônomo Getúlio Minamihara, que apontou que ali tinha café especial de alta qualidade – atingiu mais de 80 pontos. Uma curiosidade é que a colheita é feita 100% por mulheres por opção da produtora.A produtora participou do Empretec – seminário aplicado pelo Sebrae Minas que utiliza a metodologia da ONU que estimula o comportamento empreendedor — para estruturar o negócio, aliando qualidade, propósito e inovação.

Ana Trindade integra a Associação dos Cafeicultores da Canastra (Acanastra), que tem como propósito promover a origem dos cafés especiais da região, agregando valor ao trabalho dos produtores locais.

“Com o apoio do Sebrae, conseguimos enxergar o café da Canastra não apenas como um produto, mas como uma marca do nosso território. As capacitações e orientações nos ajudaram a aprimorar a gestão, melhorar a qualidade e valorizar o que temos de mais autêntico: a nossa forma de produzir em harmonia com a natureza”

Ana Trindade, produtora de Delfinópolis

Impactos gerados

Ações sustentáveis

1 mil árvores nativas do Cerrado plantadas

Criação da ONG Instituto Candeias

Recuperação de áreas degradadas e nascentes